sexta-feira, 3 de abril de 2009

Ambiguidades...

Há mais de um sentido para um mesmo autor,
Entre o respeito e a saudade,
Mantenho a palavra dentro dos limites,
Luto para vence-los,
Resisto em mante-los,
Derramando palavras represadas,
no lago da minha alma,
nos meus breves espaços.


.

"Mas como você sabe o que sente por ela?"

de repente... num dia cruzaram-se os olhares de uma forma diferente...

de repente a companhia dela

era a mais agradável

e com ela

qualquer assunto rendia

e o tempo nos desconhecia

nós o desconhecemos

eu queria

abraça-la

estar por perto

isso aconteceu meio que naturalmente

nos aproximamos

cumplicidade de conversas e confidencias

barreiras quebradas e lagrimas derramadas juntos

ficavamos muito tempo abraçados

era estranho para os dois

veio uma sensação de confusão

e uma tristeza porque dias depois eu iria embora

as batidas do coração descompassavam nos encontros

e a vontade de abraça-la era muito forte

a vontade de estar junto

mais do que no abraço

é como se de repente

houvesse um vinculo

uma vontade de compartilhar caminhos

uma felicidade inerente a estar juntos

uma saudade saudável,

da presença

mesmo pouco tempo depois dos encontros

“coincidência, não, eu diria, convivência.”

não existe uma forma padrão de amar alguém

é isso o que eu sinto

hoje

o que sinto

é a presença dela

não como um pensamento fixo

mas um sentimento constante

ela está

na Lua

nas estrelas

no céu

nos reflexos

nas outras pessoas

nas cores que veste

nas cores que gosta

nos autores

nas musicas

nas esquinas

nos lugares

nos cheiros e nos assuntos

ela está na minha história e na minha História,

está na minha Educação

quando vou comer

dormir

acordar

quando pratico Kendo, Kung Fu ou futebol

quando tomo um suco de laranja

em todas as minhas aulas

em todos os meus comentários

em todas as minhas loucuras...


...

mesmo sem estar lá

e quando está

meus olhos vidram

encantados

de modo que se desorientam quando se vai

e a procuram mesmo que eu não queira

o dia inteiro e a noite também

aqueles cabelos negros, mais ou menos ondulados

aqueles gestos e o jeito de andar

os olhos, os sorrisos, o corpo

e quando ela está, finjo que não estou (agora)

mas a observo,

e me reapaixono

a cada vão instante

e fico a imaginar

como será seu cotidiano

o que anda pensando e sentindo,

e a quero, tão bem quanto possível for

...

essas coisas e outras

é assim que eu não tenho

duvidas do que sinto


terça-feira, 31 de março de 2009

Excesso...

De pulmões cheios,
De ouvidos zumbindo,
De olhos vidrados,
De musculos tensionados,
De cabeça cheia.
Tantas coisas,
de tanto eu, tanto
em mim,tudo
muito.
Palavras demais,
imagens demais,
idéias demais,
cheiros demais,
barulho demais,,
força demais,
movimentos demais,
pensamentos demais,
sentimentos demais...
Eu a mais...
Excessos em mim.
Excesso de mim...


.

domingo, 29 de março de 2009

Apatia...

Veneno inodoro , manuseie com cuidado.
Suspeito que hoje se "institucionalizou-se" a regra da Apatia, "a política? Pra que?" - "ah mas vai ser sempre assim mesmo" - "Ah mas ele não trabalha" - "O governo não faz as coisas direito" - "Deus quis assim" - expressões vigentes da lei macabra que tem gerado um grande problema para todos nós, num sentido bem amplo, não falo de Brasil, falo do mundo.
Por que acho isso?
Oras, primeiramente, no meio onde estou a desorganização política dos estudantes imobiliza o movimento estudantil, infelizmente um mero fantasma, frente ao que era durante o regime militar, aliás momento onde estava na clandestinidade.
Concordo que formas de controle diretas, como a ditadura, têm como reação resistencias diretas, como o combatimento armado, ou a alta mobilização popular, como foi o caso do movimento estudantil na época da ditadura, hoje o controle é sutil, a resistência das minorias... ainda!
Onde é que se encaixa a política? Na minha opinião, na aplicação da ideologia de uma época, de uma cultura e de um povo na organização da sociedade. No final das contas, o povo só tolera aquilo que tem predisposição para tolerar (e muitas vezes são condicionados a tolerar certas condições). A consciência dos povos reflete diretamente na política e consequentemente na sociedade que se organiza a partir dela.
A exaltação da apatia política, e a apatia de uma forma geral, são irracionais, não representam a maior capacidade de lidar com a diversidade humana como afirmam uns, mas justamente o contrário: é na política onde as questões sociais mais delicadas vêm a tona para serem discutidas e tratadas não em nivel individual, mas em nivel de toda a sociedade. É lá onde as questões delicadas da sociedade e da convivência humana vão vir a tona em suas piores formas: a violencia , dos corpos e das idéias.
Nada contra aqueles que optam pela apatia política, me entristeço, mas é válido, é um direito essa escolha (suspeito inclusive, influenciada pela política, mas deixemos de lado esse ponto) e deve ser respeitada. O que eu não concordo é com a exaltação dessa apatia, que vai além da política.
Nossa apatia com os famintos, com os pobres, com a violência, física e mental, com a degradação ambiental, com a escassez de saude, a asfixia do sistema educacional, me impressiona como ignoramos, como passamos apáticos a tudo isso, que , curiosamente caí na apatia política: porque nessa sociedade "organizada" em que vivemos, seria o local onde resolveriamos todos esses outros problemas a que estamos (nunca todos nós, graças a Esperança) apáticos.
Não, não digo isso com o fim de causar mais pessimismo e desesperança, eu acredito em mudança, senão já teria ido embora, e esse post é um alerta, um alerta para os perigos da indiferença, um chamado a ser diferente.
Suspeito que a solução está nisso: diálogo.
Precisamos todos conversar. A humanidade precisa conversar mais.
Não acho que essa apatia seja natural, mas há uma tentativa de naturaliza-la, não vejo porque entregar a política nas mãos de uns poucos burocratas, não vejo porque manter-se acreditando que "assim vai ser" se as coisas não vão bem.
Se é a consciência de um povo que determina suas condições minimas de organização política, vamos aumentar nossos níveis.
É muito díficil falar aos que estão a mais tempo expostos ao discurso apatizante,
Acredito fielmente que através da Educação, ampla, essa feita na vida, não apenas nas salas de aula, seja uma solução em potencial para o problema.
Pra educar é preciso diálogo.

.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Construindo novas coisas Sob luz de estrelas e da Lua,

Vou me catando,
Em fragmentos espalhados pelo chão e pelo tempo,
Diferente de outras as coisas,
Atraves das ações e do pensamento,
Construindo novas coisas
Sob luz de estrelas e da Lua,
Num mundo novo,
De um novo eu.

segunda-feira, 16 de março de 2009

É preciso pensar na espada...

Espadas desembainhadas,
Podem cortar ou proteger, as mesmas que cortam correntes, cortam gargantas.
Quem move as espadas são as mãos. Quem move espadas somos nós.
Se movidas com leviandade podem ferir as pessoas a nossa volta, podem ferir e até matar.
É preciso pensar na espada, saber que pode ferir e proteger, que pode ser bela ou feia, que pode ser pacifica ou beliciosa e tudo dependerá de como a guiamos.
Pensar na espada é uma questão de respeito: Consigo próprio e com os outros, a medida que podemos nos ferir e ferir os outros.
Afinal, "Nenhum homem é uma ilha na sua totalidade".

segunda-feira, 9 de março de 2009

Umas primeiras conclusões...

É, a História é relativa, quanto aos documentos, interpretações e mais, além da inserção histórica da fonte do documento, como, por exemplo, no caso dos registros de um soldado alemão no front durante a segunda guerra mundial e ainda os historiadores estão inseridos no seu próprio conceito histórico, por exemplo, um historiador soviético da década de 70, ou um historiador brasileiro do século XX, e a própria subjetividade de ambos (que já havia citado anteriormente também)
Que bizarra "camada" que se sedimenta sobre o "conhecimento objetivo!
Nessa perspectiva, dentro ainda da leitura anterior, muda-se a pergunta que tentavamos responder: Ao invez de pensarmos "O que é História" passamos a nos perguntar "Para quem é a história?"
Nossa! Isso faz muito sentido. Aprendemos verdades históricas em nossas instituições de ensino por que? Se a história é relativa e tudo é muito dependende a sua visão da História, como podemos dar provas objetivas de histórias? (como ainda usamos dar provas, aíaíaí!)
Lá vou eu polemizar esse troço.
É como se os pensamentos da história acadêmica, não alcansasse ou ecoasse no ensino da História nos outros segmentos da educação. Ou seja, um número muito limitado de pessoas tem a oportunidade de aprofundar-se nesse assunto essencial.
Oras, se a História é relativa e aprendemos verdades, significa que a História está sendo usada, daí vem, por que? Pra quem?
Quantas justificativas dentro da história não foram usadas para defender ideologias? O que é muito estranho afinal, é uma história ideológica defendendo aliás a própria ideologia! É quase um principio de auto afirmação.
Não que sejam afirmações mentirosas, mas entre uma história ideológica e uma história "real" (que não acho possivel alcançar) existe uma grande diferença. Pois então, há essa vulgar utilização da História e, talvez meu imediatismo não permita (o que é imensamente possivel), mas não vejo mudanças significativas ou questionamentos incisivos, fortes a esse grande problema.
E olha que interessante, a sensação, inicial, de perder o referêncial é nauseante, putz... ainda estou, acho até que gripei em função disso, mas é uma sensação "libertadora!" , porque nos desapega, literalmente, das verdades, as afirmações vêm sempre de um questionamento implícito, especialmente quando são justificadas em cima da História e principalmente quando se tratam de aspectos subjetivos, como as intenções políticas de um país num dado momento de sua história, ou afirmações com argumentos na história para sustentar uma ideologia, por exemplo "a sociedade não pode ser justa porque ao longo de toda história da humanidade o homem nunca foi".
Uh! A vida é até mais bonita quando você não tem que se preocupar em refutar coisas desse tipo, e se quiser refutar, só basta dizer: "prove." e teremos mais uma polêmica.
Por que então estudar História? Possivelmente para construir um conceito meu, mas no meu caso é para dar aulas, que ainda, ainda mais depois dessa, não faço idéia de como vou fazer isso até mesmo porque adoraria compartilhar essas reflexões com qualquer aluno meu, acharia fantástico discutir teoria da História em uma aula de ensino médio ou até mesmo na sétima ou oitava série com as devidas adaptações.
Não se trata de descontruir, desesperar um garoto, mas ensina-lo a ver a História sobre uma outra perspectiva que, provavelmente só teria acesso, se fosse cursar História (é só observar quanto eu, minha turma e grande maioria dos meus veteranos ficou pasmo quando descobriu ou raciocinou sobre isso).
Saber que a História pode ser usada, que não é exato, por mais obvio que pareça, é bem interessante deixar isso claro, que por isso se liga as relações de poder, que se liga a formação e manutenção de uma série de fatores de poder, como ideologia, como a constituição de uma sociedade e outras muito mais.
Esse tipo de reflexão, de crescimento representa um passo interessante na construção de um senso critico, da não aceitação das "verdades absolutas" e do retorno de um principio questionador e menos objetivista.
Tudo isso, é o que mais desejo as pessoas, potencializar a capacidade das pessoas de construirem suas próprias idéias, que é assim que se transformarão e a tudo mais.
O resto...é história.