segunda-feira, 1 de março de 2010

Grito!

Eu gritaria se fosse capaz. E também se fosse tolo.
Mas desvio o olhar, e também, o ódio.
É só pra não ferir, é só pra não rasgar, pra não descarrega-lo assim, tão violentamente.
É meu mesmo, e eu guardo. Sua existência só insiste em me lembrar que odeio tanto, por amar tanto.
São tantas as contradições que a paz não pode calar essa inquietude inflamada que dei nome de raiva. E nem os músculos doloridos, a ansiedade, ou o sono perturbado podem dar conta disso tudo que se queima. Perguntas que faço sem cessar. Mascarás, barreiras, paredes e névoas que cansei que me cercassem.
Saiam! Não são bem vindas! Quero apenas que diga palavras que condizem com o brilho ou a escurdião de seus olhos.
Apareça!
É toda essa fuga que me faz duvidar da sinceridade! Tão evasiva!


Chega!


Vou embora.



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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O Bêbado...

Embriagado de mim mesmo, sirvo me da dança e do som.
E me deixo levar, há de ser assim agora, há de ser, quem me dera. Quem me dará?
Em meio a Candongueiros e Candongueiras, sou apenas mais um, de igual, felicidade e animo,
cantando e dançando, no sútil equilibrio da minha mente embriagada.
Assim, reinvintei a mim mesmo, a minha felicidade, e meu Carnaval.



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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Duas Janelas de Galeano...

"Janela sobre o erro.

Ocorreu no tempo das noites longas e dos ventos de gelo: certa manhã, floresceu o jasmim do Cabo, e no jardim da minha casa, o ar frio impregnou-se de seu aroma, e nesse dia também a ameixeira floresceu e as tartarugas despertaram.
Foi engano, e durou pouco. Mas graças a este erro, o jasmim, a ameixeria e as tartarugas puderam acreditar que alguma vez o inverno terminará. Eu também."


"Janela sobre a memória.

Um refugio?
Uma barriga?
Um abrigo onde se esconder quando estiver se afogando na chuva,
ou sendo quebrado pelo frio, ou sendo revirado pelo vento?
Temos um esplêndido passado pela frente?
Para os navegantes com desejo de vento, a memória é um ponto de partida."

Eduardo Galeano.


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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Conheceres...

Conhecer não é tão da cabeça quanto é da alma. A alma não se importa com todas as perguntas e duvidas que temos. Não é necessário saber o porque de todas as coisas, compreender cada detalhe. É saber que gosta de azul, e fica bem de vestido amarelo. É diferente...



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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dias do Elísio...

Alguns pensam que o Elísio é o lugar para onde vão os hérois que falecem em glória e honra, talvez até seja, mas há mais que esse lugar poderia revelar.

Os dias do Elísio precedem os dias do Exílio. E ele se lembra bem do caminhar conjunto pela margem dos rios , através dos bosques e florestas. Das conversas que as estrelas acompanhavam e das luzes que lhes iluminava os caminhos pela noite, aonde quer que fossem quer para o que fosse.

Ele ainda pensa que não deveria ter ido embora de lá.

Pensa que não deve ir.


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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Naufrágio.

As palavras não se formam nas bocas de um afogado.
Gritar a plenos pulmões só o enxeria mais rápido de água, só o enfraqueceria para sobreviver.


Naufrágio de tempos, uma tempestade que choveu em outros verões agitou os mares da Terra e da Alma novamente. Morrerei afogado? Questiona-se o tripulante desorientado.
Atingidos pela tempestade de súbito, mal conseguem se salvar, afogam-se, em sentimentos de saudade dos que amam nadam contra o que parece ser inevitavel. Mas esse Capitão já afundou outras vezes, e os bons marinheiros do mar, sabem que uma tempestade dessas não vem de Gaia, não é natural, pode vir de um semi-deus ou semi-deusa, enfurecida, talvez ludibriada, tempestades passageiras.
O Capitão sabe quem lhe mandou essa, e seus sentimentos de saudade são saudados pela tempestade que arrebata seu návio.
Sabe que dessa história é criminoso e é vítima também. Sabe que Ela o é tanto quanto ele.

São uns ladrões: Roubaram a alma e o sossego um d'outro.



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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

"O tempo não para..."

"Disparo contra o Sol, sou forte, sou Por Acaso..."

"Minha metralhadora cheia de mágoas, eu sou o cara..."

"Cansado de correr na direção contrária"

"sem pódio de chegada ou beijo de namorada"

"Eu sou mais um cara..."

"Mas se você achar que eu tô derrotado,"

"saiba que ainda estão rolando os dados..."

"Porque o tempo..."
"O tempo não para"

"Dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão..."

"da caridade de quem me detesta"


"A tua piscina tá cheia de ratos"

"Tuas idéias não correspondem aos fatos"

"O tempo não para"

"Eu vejo o futuro repetir o passado"

Eu vejo um passado que se recusa a passar...

Mas "O tempo não para..."










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