quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Paz..

Como conseguir a tranquilidade da água diante de tanto barulho?
Cercados por máquinas e compromissos, pelo tempo contado, eletrônicos e mais eletrônicos e a pressa.
Certa vez me disseram que para conseguir concentração precisamos de locais calmos...

 Mas será que aquele que consegue desviar-se de tudo, cercado pelo silêncio que o embala na direção de seu próprio foco, está mais concentrado que aquele que o aprendeu a faze-lo em meio ao tumulto?

Não, imagino que ambos conseguiram se concentrar. Um aprendeu a faze-lo em meio ao silêncio, o outro em meio ao tumulto, não é uma questão de oposição, entre o silêncio e o barulho, mas o caminho que percorreram, os porques que os levaram a esses caminhos.

Quem sabe concentrar-se no silêncio, não necessariamente o sabe faze-lo em meio ao tumulto. Mas contrário é também bastante possível, quem sabe concentrar-se em meio ao tumulto, poderá encontrar no silêncio uma perturbação surpreendente.

a paz para mim é parecida ao vazio, está associado a perda, ao largar-se.
Silencio, mas por dentro.

Ninguém poderia buscar pela paz, porque não está naquilo que se conquista, mas no que se perde. 

Só poderia encontra-la quem parou de procurar.

.

domingo, 15 de julho de 2012

Cheiro de outono...

Ontem você apareceu, denovo. Nos meus sonhos, muda e esquiva. Mais receptiva do que o habitual, ao menos, não parecia estar zangada com minha presença. Talvez, tenha sido aquele dia em que almoçamos juntos sem nos dizer nada um ao outro, ambos fingindo não se perceberem...

 Deuses... Por que você continua aparecendo? Eu continuo perguntando... É , talvez seja isso. Ou apenas o dinossauro verde no seu casaco. Morangos, vermelho e verde, talvez seja tudo, ou só o frio e o cheiro do Outono e do Inverno. "Tanto faz"...

Continuo perguntando...

"Cadê você?"


.

sábado, 14 de julho de 2012

Gelado...

E me encontra, mesmo aonde não espero, ou quando. Algo me passa, por dentro, frio, fundo.
Não é como esse sereno que caí no meio dessa neblina, nem igual a chuva, nem aos dias secos.
Está nas palavras não ditas, nos olhares parados - perdidos.
Está no tempo, no sono e no canto, na maioria deles e em todas as sombras.

Não é como essa garoa , nem o ar seco do verão. Não é como a chuva e nem como pular num rio no inverno. 

É gelado, algo que me passa, me atravessa. 

Como ponta, ou espada...

Uma faca.


.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Desobediências...

Você me diz, "Se afaste".

 Presságio de que ali eu não caberia,
 de que seria melhor a distancia.

Não me vou,
desobedeço.

Estar junto implica em pequenas provocações,
desobediências, diferenças...

 Por isso, permaneço.

 Aqui.

Vale a pena...



 .

domingo, 24 de junho de 2012

conheceres...

‎Conhecer pra mim é a forma como se transformam as nossas cores, 
No tempo, em nossa experiência e no mundo. 
Criatividade e esquecimento, florescer e secar. 
Para ser quem sou hoje, me esqueci de quem era quando tinha seis anos, algumas cores de minha infância ainda restam, são significativas para mim, mesmo assim, alteradas por todos os outros esbarrões que tive por aí... 
Essa criança de seis anos, guardada na memória como um espectro fragmentário daquilo que um dia fui, coloria o mundo e a si mesmo com outras tintas, que já não me lembro quais eram, nem como as usava...

Hoje já sou outra coisa, e uso colorir o mundo de outras maneiras com outras cores, que nem sei bem quais são.

E Sei menos, bem menos ,
do que sabia antes,

ser uma criança de seis anos...



.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

professor...

E eu nem me dei conta de como isso foi acontecendo. Mas de um dia pro outro comecei a ouvir, "Ah professor, então..." ou "Professor Thiago...", acho que minha ficha só caiu por agora. E as memórias me vêm que já datam de cerca de oito anos, nove talvez, quando as primeiras idéias sobre educação - e os primeiros encantos vieram.
Não, certamente não "nasci pra isso", como tudo em mim se constituiu ao longo da minha experiência no mundo. E tal como o gosto pela docência foi uma construção, aprender a dar aulas está sendo outra. Desde o projeto de educação de jovens e adultos na moradia, às aulinhas dadas, por acaso, na escola do estágio, ou agora, assumindo aulas numa escola pública do Estado de São Paulo, se quiser posso colocar a origem em outro lugar, talvez nos treinos de kung fu, ou na monitoria de inglês no terceiro ano.
As coisas em si não tem necessariamente um nexo que me leva a tal lugar, o acaso fez muito, não vejo "vontade maior", "destino" ou o que quer que chamem me tocando pra lá ou pra cá, vejo apenas "acasos e escolhas".
Enfim... tanto faz... Só quero contar um causo.

Descobri que sonhava com algo que sequer tinha dimensão do que seria, talvez algo de mágico nos sonhos esteja justamente nesse desconhecer. Engraçado essa mágica da dimensão desconhecida do sonho e o medo que eu tenho agora, que me agita por dentro, de começar - de viver isso.
Estou procurando me desarmar: muitas expectativas, muitos preconceitos. Tanto das minhas expectativas quase "salvacionistas" acerca da educação, quanto os comentários que ouço frequentemente acerca da "desgraça que é" ser professor.

Com o perdão da palavra mas... Vão a merda.

Eu já estou suficientemente nervoso pelos meus próprios anseios, medos e perspectivas, não preciso mesmo do coro melancólico da degradação do ensino público ecoando na minha cabeça. Esse barulho é tão frequente que se tornou banal.

Ficou fácil demais falar (mal principalmente) da educação, ficou fácil depositar nela a culpa pela desgraça atual das coisas e por outro lado ver na mesma uma possibilidade de "salvação" singular, como nenhuma outra - ou melhor, como se as "outras" simplesmente fossem incapazes de "salvar" e a educação aquela que "ainda é capaz". Me poupem dessa bagaceira...

Metade dos "arautos da educação" que dizem demais nunca viveram, nunca tentaram, nunca nem cogitaram. Se tornou um baita de um "senso-comum", e essa martirização-canonizante, me mata de preguiça...

Não estou indo ser professor por "uma causa maior", uma cisma de "salvador", ou de "missionário do mundo contemporâneo", ou pra dar uma de "martir da educação".

Eu gosto disso, quero conhecer alunos, professores, lidar com a realidade das escolas.

Quero descobrir afinal, com o que é que eu estava sonhando?


.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

pessoas...

Nos esbarramos por aí,
      nesses acasos que nos encontram...

Disso se faz as nossas vidas
    e disso a gente se faz.

Ninguém nunca é.

Somos, com cada um que encontramos,
    e esse errático encontrar,
   
Simplesmente, acabamos "sendo'.

cor.
contorno.
mistura.  
acaso.
encontro e movimento.


Um poema em cores...



.