domingo, 12 de maio de 2013

A loucura dos dedos.

Loucuras me escapam,

Pelas pontas dos dedos caçam na pele,

As feridas que não podem cicatrizar...

As feridas que não deixam cicatrizar.

E abrem, e abrem...

Como se enterrado ali, em meio a carne e o sangue,
alguma solução para um desarranjamento na alma.

A pior coisa de todas é que a maldita loucura faz sentido,
e enquanto os dedos cavam e escavam a pele, deixando seu rastro
de feridas incuráveis (que dizem respeito a outras ferida não-curadas),
por mais absurdo que a mente se absurde, o gesto continua,
a rasgar e a rasgar e quando a dor é forte demais para continuar no mesmo lugar,
a procurar por outros, mesmo no sonho, mesmo no sono...

A vergonha da loucura a faz piorar. Abre mais feridas, torna as mãos mais agitadas.
Controlar o impeto de rasgar a pele é um esforço tremendo, e a angustia de tudo isso,
é a sensação de que não vai acabar;

Ah, as feridas... meus dedos nunca acabam de arranhar.
meus medos nunca param...

E por cansaço e frustração, acabo parando,
se dependesse dessa angustia eu viraria uma grande ferida aberta e só.

Mas as unhas se quebram, o corpo se cansa ou a dor é forte demais.
A mente, inquieta, é obrigada a centrar-se em outra coisa e apaga,
não descansa, só desliga...

Pra depois voltar à mesma maldita rotina.



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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Desarranjos... (ou "Para alcançar o céu com os dedos")

Acordo, o coração disparado.
                                    (do fundo de um mar...)
Outra decepção me vem a memória... e outras.
O coração nada, forte, pra não se afogar em lembranças...
de sal e gosto amargo.

Sobre os mares agitados de mim, paira um opressivo silêncio.
Uma calmaria, num céu puro, sem nuvens e um Sol Eterno...
Inclemente, a tostar as almas e o Tempo.
                                                  (E moer memórias...)


Tudo parece tão solene e hostil,
Entediantemente igual e distante.
E os Ecos repetidos num oceano sem Vento.
Gritam abafados...
     "Não há nada novo por aqui"

Mas minhas marés insandecidas
continuam a querer rasgar o céu, e o Sol.
E inverter os rios e as cachoeiras.

Apagar todas as velas do mundo.
Inaugurar um Dia Longo de Noite
Uma Ode à escuridão...

Com Lua cheia e Estrelas...
E todas as Cores do Universo...

Com todos os lapsos do sangue,
e as células da alma,
e todos os corpos da mente...

Cultivar um Sol em Chuva

de Peito Aberto...



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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Assim, tão especiais...

Aqueles que se fecham na alta classe de diferenciados, não dizem assim... é feio.
Apenas são "raros", "de personalidade", "criticos", "pensadores", "sensíveis"... Hahaha
É uma fração da humanidade salva da degradação e da decadência que nos toma quase por completo.

 Nos circulo próximos , os amigos exortam as qualidades, a raridade das pessoas que ali se encontram, em oposição a um mundo saturado por sua violência e degradação e cheio, pululante, de pessoas que não valem a pena.

E por aqueles sobre quem pensam, são pensados, tão podres também...

Ser especial é uma lança que usamos pra nos afastar e diferenciar.
Vivemos em guarda, em defesa, cercado por "poucos que valem a pena"...

Ser especial se tornou a Norma...

Esse tipo de diferenciação, desses tão lúcidos seres, é prima da intolerância.
E filha do desconhecimento.

[E assim, tão assustados,  todos nos ameaçam,
exortamos a nós mesmos, para nos levantar a moral,
para crer que existe luz nessa escuridão que se tornou
O Mundo e suas pessoas...
E do outro lado da colina, da rua, na casa ao lado, na rua ao lado, na pessoa ao lado.
A mesma angustia se passa, a mesma ameaça é sentida...
E todos se armam

Ao som sinistro de uma Ode à Intolerância...]



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terça-feira, 9 de abril de 2013

nós na garganta...

Tenho dificuldade em escrever...
 Ausências costuradas entre os dedos,
[e na garganta].

 As meias-palavras (mal)ditas,

E todas as outras - caladas...



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segunda-feira, 18 de março de 2013

Abraços de Outono...

Vem Outono, estende seus braços de vento sobre o mundo,
com tuas mãos gélidas, cata as folhas quasi-mortas das árvores,

 Tece um arrepio na pele que se encosta.
Faz um belo tapete marrom-amarelado, para mim;
                                                                             
                                                                                          [desvergonhe as Árvores]
E com seu sorriso de noites geladas...

                                                         [cabelos e as saias...]

E torna só o Sol, choramingando saudades de Verão,

                                              [e tudo seja esquecimento]

 Invejando os beijos estalados que tu distribui por aí,

                          [levados a-braços de vento]

 pálido, de paisagem, que Sol nos alcance com as pontas dos dedos.

 [beijos na nuca...]

 Outro arrepio.



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quarta-feira, 6 de março de 2013

divisões...

Guerra civil...
Se espalha pelo continente de mim.
Guerra fria , crua, de extermínio.

Traições e tréguas,
Mas sem visão de fim.
E a cada novo dia, o medo é o mesmo.
E a desconfiança, também.

Não sei quando nos traímos,
eu e eu mesmo, assim
Tão profundamente,
definitivamente.

Talvez não seja quando,
Talvez não seja onde.

E talvez, não haja porque.
Porque as fronteiras, as divisões,
são mitos criados pelo olhar...

Porque eu , e eu mesmo, não nos traímos.
Só discordamos, um pouco, levemente, na medida do que somos:
Um todo.

[O medo que se tem, de encarar o que há adiante,
de pular, ir, cair ou o que for...
Trocar qualquer coisa pelo que não seja,
Esse brinde diário à autodestruição...
Escolher.]

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

partidas...

(...) eu seguro a porta do seu carro, você com as duas mãos no volante, óculos escuros, sequer me olha. Meus olhos já estão cheios d'agua e eu sei o quanto você acha isso tão idiota. Mas sua indiferença construída fixa teus olhos no painel do carro e você dá a partida e sua expressão fixa no rosto. Eu seguro firme e te digo não sei quantas coisas... todas as coisas que eu não deveria dizer, todas, em uma frase... e eu seguro, firme...mas você acelera, sem nenhuma palavra...


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