O quanto perdemos tempo com os "resultados" e as "cobranças" e não podemos aproveitar a companhia de quem nos é importante. Como as obrigações que deveriam produzir uma vida prospera, se tornam muitas vezes, a causa da própria infelicidade...
Como deixamos de nos falar, por motivos frágeis, apegados à expectativa que tínhamos sobre os outros (e vice-versa) justificando para nós mesmos um rompimento que muitas vezes nem desejávamos.
Me entristece o poder capaz de cortar (ou silenciar) laços. Do sofrimento que surge com as insatisfações que carregamos sobre nós mesmos, com todas as nossas "culpas" e "deveres" a nos preencher como cacos de vidro...
Outdoors me entristecem. Com seus sorrisos brancos, com seu modo de vida, "consumo-felicidade", com sua reprodução exaustiva, a ponto de não ter para onde olhar que não me remeta à esse modo "shopping-center" de ser-estar.
Me incomoda a exclusividade das coisas. E as justificativas do privilégio...
A insanidade que ronda o senso comum, dessa desumanidade que muitas vezes tenta se justificar como Justiça.
O tédio de meus alunos me entristece, pois queria que amassem com fervor a vida a cada momento, pudessem a aproveita-la e descobrir como dela criar, sem serem compelidos e forçados a vivenciar esse tédio por tantos e tantos anos... Me entristece a violência com que aprendem a se relacionar.
E a terrível sensação de impotência diante do tamanho das dificuldades. Dos meus próprios problemas... Das coisas abandonadas.
Me entristece saber que a dor, a morte ou a doença, todo
tipo de sofrimento que estamos sujeitos, passa desapercebido às nossas
pequenas disputas diárias... Sinto saudades de pessoas que não vejo
mais. E delas o meu respeito para evitar tamanha tolice.
Me entristece essa ruína de mim mesmo, que luta pra se recompor.
Esse sem-rumo, levado por uma maré de perguntas,
E os meus fracassos intermináveis... e essa intolerância toda...
.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Tempo cultivado...
Com o tempo, as coisas que cultivamos,
passam também a nos cultivar.
Se tornam parte de nós e nós, delas.
Passamos assim, a viver dessa simbiose,
daí o sentido do verbo Apropriar-se...
É a arte da simbiose com a Vida, que torna tudo o que não é igual, inédito.
Que transforma a nossa forma,
E forma.
E Cria...
A nós mesmos.
.
passam também a nos cultivar.
Se tornam parte de nós e nós, delas.
Passamos assim, a viver dessa simbiose,
daí o sentido do verbo Apropriar-se...
É a arte da simbiose com a Vida, que torna tudo o que não é igual, inédito.
Que transforma a nossa forma,
E forma.
E Cria...
A nós mesmos.
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começo...
As mãos escondem olhos que observam, escondem sorrisos e choro.
E o coração apertado no peito, apertado de não aguentar mais - conflito e confusão.
No final, não parecem todas as exigências tão mesquinhas?
Nossas pequenas disputas cotidianas, nosso culto ao nosso "eu", à imagem que criamos de nós?
Não é estilhaçada de época em época essa vidraça, com o vento do tempo, carregado de suas intempéries?
E com que fim? Se apenas o fim é o destino?
.
E o coração apertado no peito, apertado de não aguentar mais - conflito e confusão.
No final, não parecem todas as exigências tão mesquinhas?
Nossas pequenas disputas cotidianas, nosso culto ao nosso "eu", à imagem que criamos de nós?
Não é estilhaçada de época em época essa vidraça, com o vento do tempo, carregado de suas intempéries?
E com que fim? Se apenas o fim é o destino?
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sábado, 7 de dezembro de 2013
A Desconfiança é um sentimento solitário...
Não desconfiamos de quem não faz diferença, de pessoas cotidianas cujos vínculos que formamos não extrapolam sua formalidade diária. Podemos até assumir para nós mesmos comportamentos desconfiados em relação ao mundo, crendo não valer à pena dar chance a ninguém, uma vez que toda e qualquer pessoa está sujeita a nos decepcionar.
Mas não raro isso é uma extensão, da desconfiança que nos importa, a desconfiança causa dessa desconfiança do mundo - e sobretudo a que mais nos fere - é aquela que nutrimos sobre quem amamos. E nem é necessário que tenham nos enganado, as vezes apenas a frustração com algumas poucas pessoas amadas, frustrações que fazem parte da existência de qualquer um de nós, nos machuca profundamente, nos enche de dúvida.
E nesse lugar em nós das pessoas que importam, das pessoas que extrapolam a monotonia do convencional, aqui, a desconfiança é uma faca muito afiada.
Especialmente afiada, porque o engano não é antagônica ao amor, mas muitas vezes nele justificada.
Daí sua angustia mais profunda: Justamente por sermos amados, fomos "enganados".
Essa vinculação sinistra entre Amor e Engano, nos leva facilmente a associar que todo amor pode estar maculado por essa terrível sombra do "engano justificado"... Esse medo tende a se estender e permear cada novo vinculo que criamos.
Talvez daí venha boa parte dessa desconfiança geral em relação ao mundo, afinal, uma vez que, se aqueles que mais amamos e desprendemos de nós para estar por perto, não conseguimos (ou não podemos) confiar, em quem mais poderíamos?
Os sacerdotes modernos do Desapego saúdam três, quatro, cinco vezes, a desconfiança em relação ao mundo, esse culto ao afastamento, ao "Estado Mínimo" de vínculos e pessoas à nossa volta. E boa parte de nós acredita ser profundamente sábia e racional tal atitude em relação à nós mesmos, em relação às pessoas que encontramos e que aos poucos tornamos "inextrapoláveis"...
Absolutamente presas ao cotidiano nas quais às congelamos, de nada permitimos que faça que possa nos alcançar, nos tocar, nos desequilibrar. Mais do que a elas, não nos permitimos extrapolar, arriscar não mantê-las no convencional - nos congelamos.
Esse sentimento que parece liberdade, é uma solitária. É um bloco de gelo ao qual nos encerramos na expectativa de nos "imunizar" ou repelir a dor, evitar sofrer, que acaba se tornando "evitar viver".
Essa desconfiança surgida primeiro em relação a quem amamos. Nos toma e nos devasta por dentro. Nunca estando aqui em questão, se os outros são confiáveis ou não. A partir dessa experiência frustrante, criamos fórmulas, teorias e máximas para definir a humanidade segundo as nossas aflições e passamos a suspeitar de todos, nos fechamos à possibilidade de entrega, à possibilidade do dizer francamente e do acreditar no que ouvimos e, em algum tempo, no que nós mesmos dizemos..
A Desconfiança é, deveras, um sentimento terrivelmente solitário.
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Mas não raro isso é uma extensão, da desconfiança que nos importa, a desconfiança causa dessa desconfiança do mundo - e sobretudo a que mais nos fere - é aquela que nutrimos sobre quem amamos. E nem é necessário que tenham nos enganado, as vezes apenas a frustração com algumas poucas pessoas amadas, frustrações que fazem parte da existência de qualquer um de nós, nos machuca profundamente, nos enche de dúvida.
E nesse lugar em nós das pessoas que importam, das pessoas que extrapolam a monotonia do convencional, aqui, a desconfiança é uma faca muito afiada.
Especialmente afiada, porque o engano não é antagônica ao amor, mas muitas vezes nele justificada.
Daí sua angustia mais profunda: Justamente por sermos amados, fomos "enganados".
Essa vinculação sinistra entre Amor e Engano, nos leva facilmente a associar que todo amor pode estar maculado por essa terrível sombra do "engano justificado"... Esse medo tende a se estender e permear cada novo vinculo que criamos.
Talvez daí venha boa parte dessa desconfiança geral em relação ao mundo, afinal, uma vez que, se aqueles que mais amamos e desprendemos de nós para estar por perto, não conseguimos (ou não podemos) confiar, em quem mais poderíamos?
Os sacerdotes modernos do Desapego saúdam três, quatro, cinco vezes, a desconfiança em relação ao mundo, esse culto ao afastamento, ao "Estado Mínimo" de vínculos e pessoas à nossa volta. E boa parte de nós acredita ser profundamente sábia e racional tal atitude em relação à nós mesmos, em relação às pessoas que encontramos e que aos poucos tornamos "inextrapoláveis"...
Absolutamente presas ao cotidiano nas quais às congelamos, de nada permitimos que faça que possa nos alcançar, nos tocar, nos desequilibrar. Mais do que a elas, não nos permitimos extrapolar, arriscar não mantê-las no convencional - nos congelamos.
Esse sentimento que parece liberdade, é uma solitária. É um bloco de gelo ao qual nos encerramos na expectativa de nos "imunizar" ou repelir a dor, evitar sofrer, que acaba se tornando "evitar viver".
Essa desconfiança surgida primeiro em relação a quem amamos. Nos toma e nos devasta por dentro. Nunca estando aqui em questão, se os outros são confiáveis ou não. A partir dessa experiência frustrante, criamos fórmulas, teorias e máximas para definir a humanidade segundo as nossas aflições e passamos a suspeitar de todos, nos fechamos à possibilidade de entrega, à possibilidade do dizer francamente e do acreditar no que ouvimos e, em algum tempo, no que nós mesmos dizemos..
A Desconfiança é, deveras, um sentimento terrivelmente solitário.
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Sobre caminhos...
Onde está o caminho? Como sabemos se estamos no caminho ou não?
Quando a dúvida nos toma, como manter a confiança de que continuamos no caminho?
Definitivamente, enquanto estamos, estaremos em movimento. Caminhamos, mesmo que sem caminho, mesmo que não-conscientes... Ou a fazer tal caminho a partir do próprio caminhar... como uma estrada que se forma a partir das pegadas que deixamos, ela existe por onde a gente passou, e passa... mas não tem uma rota, trajetória definida... o futuro.
Talvez...
As perguntas do começo acabam, geralmente, se voltando para um anseio de avaliar as coisas, os caminhos e as escolhas e medir. Buscar por resultados, como se procuram por marcos e referências para se fazer um mapa... "um mapa do tesouro" muitas vezes. Uma expectativa de que no final daquela estrada encontraremos uma pá e um "X" no chão e um belo tesouro de pirata para desenterrarmos.
Avaliamos pelo resultado, os "frutos no caminho", as referencias encontradas, que reforça nossa convicção que estamos "no caminho certo" e encontraremos um belo tesouro ao final.
Eventualmente, se não enxergamos, porque há poeira em nossos olhos, porque estamos cansados, ou está escuro, nossa convicção é posta a prova, pela falta de méritos, pela seca de resultados... nosso caminho é questionado, o que fazemos, deixamos de fazer... como fazemos...
Mas qualquer um está em movimento, porque só por estar, já não é mais aquilo que foi, é um sempre "sendo". E mesmo que trace seu destino e tente determinar sua reta, seu caminho, as vias pelas quais percorrerá sempre serão diferentes daquilo que tinha em sua imaginação. Essa é uma das coisas mais encantadoras e duras de se perceber no mundo: A diversidade do mundo, daquilo que encontramos no não-esperado, na surpresa, a nos tirar de nossos lugares comuns...
E como nossos caminhos se alteram, as vezes sem quase nos darmos conta de que a pouco defendiamos com convicção que "isso nunca vai mudar"... mesmo quando os planejamos com todo cuidado e zelo, somos pegos de surpresa, pela nossa própria experiência no mundo. E por mais estabanada, dura, ou engraçada, essas experiências nos transformam... Ou "nelas, nos transformamos..."
A nenhuma cidade que fui (planejando ou não), as ruas eram iguais as que eu tinha imaginado antes de chegar. Nem iguais eram os momentos e as situações. E é difícil para mim julgar e estabelecer, quais foram os frutos colhidos, os méritos coletados, durante a trajetória (até por ter uma aversão a essas coleções);
"Valeu a pena?" "O que você conquistou/ganhou/evoluiu/etc... com isso?"
A importância está para quem pergunta em diferente lugar para quem a pergunta é feita.
Não sei medir a importância das pegadas deixadas na areia, muitas delas o vento já apagou,
nem consigo ver mais donde é saí. E não sei se tenho pretensão de chegar, porque também não sei pra onde vou.
É necessário pautar, nossas escolhas e caminhos, a partir de um julgamento sobre os méritos, sobre o valor de por onde passamos? Quantas medalhinhas conquistamos no caminho?
E se eu preferir olhar pro vento?
O impulso do mérito, conquistador, é como arrancar as asas de borboletas que encontrei pelo caminho, só para provar que as vi...
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Quando a dúvida nos toma, como manter a confiança de que continuamos no caminho?
Definitivamente, enquanto estamos, estaremos em movimento. Caminhamos, mesmo que sem caminho, mesmo que não-conscientes... Ou a fazer tal caminho a partir do próprio caminhar... como uma estrada que se forma a partir das pegadas que deixamos, ela existe por onde a gente passou, e passa... mas não tem uma rota, trajetória definida... o futuro.
Talvez...
As perguntas do começo acabam, geralmente, se voltando para um anseio de avaliar as coisas, os caminhos e as escolhas e medir. Buscar por resultados, como se procuram por marcos e referências para se fazer um mapa... "um mapa do tesouro" muitas vezes. Uma expectativa de que no final daquela estrada encontraremos uma pá e um "X" no chão e um belo tesouro de pirata para desenterrarmos.
Avaliamos pelo resultado, os "frutos no caminho", as referencias encontradas, que reforça nossa convicção que estamos "no caminho certo" e encontraremos um belo tesouro ao final.
Eventualmente, se não enxergamos, porque há poeira em nossos olhos, porque estamos cansados, ou está escuro, nossa convicção é posta a prova, pela falta de méritos, pela seca de resultados... nosso caminho é questionado, o que fazemos, deixamos de fazer... como fazemos...
Mas qualquer um está em movimento, porque só por estar, já não é mais aquilo que foi, é um sempre "sendo". E mesmo que trace seu destino e tente determinar sua reta, seu caminho, as vias pelas quais percorrerá sempre serão diferentes daquilo que tinha em sua imaginação. Essa é uma das coisas mais encantadoras e duras de se perceber no mundo: A diversidade do mundo, daquilo que encontramos no não-esperado, na surpresa, a nos tirar de nossos lugares comuns...
E como nossos caminhos se alteram, as vezes sem quase nos darmos conta de que a pouco defendiamos com convicção que "isso nunca vai mudar"... mesmo quando os planejamos com todo cuidado e zelo, somos pegos de surpresa, pela nossa própria experiência no mundo. E por mais estabanada, dura, ou engraçada, essas experiências nos transformam... Ou "nelas, nos transformamos..."
A nenhuma cidade que fui (planejando ou não), as ruas eram iguais as que eu tinha imaginado antes de chegar. Nem iguais eram os momentos e as situações. E é difícil para mim julgar e estabelecer, quais foram os frutos colhidos, os méritos coletados, durante a trajetória (até por ter uma aversão a essas coleções);
"Valeu a pena?" "O que você conquistou/ganhou/evoluiu/etc... com isso?"
A importância está para quem pergunta em diferente lugar para quem a pergunta é feita.
Não sei medir a importância das pegadas deixadas na areia, muitas delas o vento já apagou,
nem consigo ver mais donde é saí. E não sei se tenho pretensão de chegar, porque também não sei pra onde vou.
É necessário pautar, nossas escolhas e caminhos, a partir de um julgamento sobre os méritos, sobre o valor de por onde passamos? Quantas medalhinhas conquistamos no caminho?
E se eu preferir olhar pro vento?
O impulso do mérito, conquistador, é como arrancar as asas de borboletas que encontrei pelo caminho, só para provar que as vi...
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sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Causa mortis...
Causa mortis é a expressão que se usa para dizer do principal fator que causou a morte de alguém. Diversas são as causas da morte de uma pessoa que aparecem nesses atestados, falência múltipla dos órgãos que pode decorrer de um câncer ou de envenenamento do sangue, de uma infecção generalizada. Pode ser esmagamento da caixa toráxica ou do crânio; Parada cardíaca, morte encefálica...
Não sei como se referem aos suicídios por ingestão de medicamentos, ou quando alguem se corta, se enforca, ou se joga de algum lugar. Também não diferenciam nos acidentes de carro, a causa mortis de quem estava tonto no volante e quem não...
A morte é por "parada cardíaca" e não de "tristeza" ou de "falta de sentido no mundo". Bom, raramente também reportamos nosso desgosto, ao ponto de deixarmos claro os motivos que tem nos matado, no atestado, a falência multipla dos orgãos, o infarto fulminante, não vão dizer do desgosto e da dor, não vão dizer da angustia.
Não se trata de querer que conste tais coisas no atestado de obito de alguém. Até mesmo porque não sabemos quando morrermos "de fato", mas morremos, um pouco, todo dia... Todo mundo morre, várias vezes na vida, antes de morrer "da vida".
Todos os dias quando volto pra casa, eu vejo pessoas nas ruas a dormir, eu vejo as pessoas no onibus cansadas, vejo pessoas a minha volta em grande sofrimento... pelas pressões, pelos acasos, pelas necessidades. O que for... aonde se olha com atenção é possível enxergar.
Abandonos da alma, do corpo e suas misérias. Falta de tempo. Intolerância com os outros. Intolerância consigo mesmo...
Enquanto isso, há quase meio século, no Colônia, um dos principais Hospicios de Barbacena, modelo para a estruturação de escolas e prisões, matou quase sessenta mil pessoas em duas décadas.
Mortes de frio, de abandono, ou de extermínio, nada que conste na causa mortis de ninguem. Muitos dos pacientes do Colônia ali haviam sido internados com o seguinte diagnóstico: Tristeza.
[E ainda dizem vou morrer por causa da Coca.]
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Não sei como se referem aos suicídios por ingestão de medicamentos, ou quando alguem se corta, se enforca, ou se joga de algum lugar. Também não diferenciam nos acidentes de carro, a causa mortis de quem estava tonto no volante e quem não...
A morte é por "parada cardíaca" e não de "tristeza" ou de "falta de sentido no mundo". Bom, raramente também reportamos nosso desgosto, ao ponto de deixarmos claro os motivos que tem nos matado, no atestado, a falência multipla dos orgãos, o infarto fulminante, não vão dizer do desgosto e da dor, não vão dizer da angustia.
Não se trata de querer que conste tais coisas no atestado de obito de alguém. Até mesmo porque não sabemos quando morrermos "de fato", mas morremos, um pouco, todo dia... Todo mundo morre, várias vezes na vida, antes de morrer "da vida".
Todos os dias quando volto pra casa, eu vejo pessoas nas ruas a dormir, eu vejo as pessoas no onibus cansadas, vejo pessoas a minha volta em grande sofrimento... pelas pressões, pelos acasos, pelas necessidades. O que for... aonde se olha com atenção é possível enxergar.
Abandonos da alma, do corpo e suas misérias. Falta de tempo. Intolerância com os outros. Intolerância consigo mesmo...
Enquanto isso, há quase meio século, no Colônia, um dos principais Hospicios de Barbacena, modelo para a estruturação de escolas e prisões, matou quase sessenta mil pessoas em duas décadas.
Mortes de frio, de abandono, ou de extermínio, nada que conste na causa mortis de ninguem. Muitos dos pacientes do Colônia ali haviam sido internados com o seguinte diagnóstico: Tristeza.
[E ainda dizem vou morrer por causa da Coca.]
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quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Agulhas...
Tenho uma dor.
Como mil agulhas na pele.
Por dentro,
entre os músculos,
encravadas nos meus ossos.
Correndo pontiagudas pelo sangue.
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Como mil agulhas na pele.
Por dentro,
entre os músculos,
encravadas nos meus ossos.
Correndo pontiagudas pelo sangue.
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