Outro dia pipocaram as surpresas de minha saída da Unicamp. As perguntas vinham rápidas, e com um tempero de receio: "Mas e agora, o que você vai fazer?", não eram feitas com maldade, mas com uma preocupação sincera, mas ao mesmo tempo, desentendiam qualquer possibilidade que não fosse "terminar a faculdade custe o que custar".
Eu não me dei com essa ideia do "custe o que custar". E na onda de se falar sobre "não deixar o que se pode fazer hoje para amanhã", eu começo a perguntar (para mim e para os outros): "O que estamos fazendo?"
A pergunta tem em si um elemento que as vezes me parece faltar nessa perspectiva de não "deixar nada pra amanhã". A questão do o que eu deixo, e o que não... é que Algumas coisas ficam para amanhã, inevitavelmente... Ou nem para amanhã ficam, ficaram... pro ontem, e não serão retomadas jamais pelo meu próprio esforço, mas o ponto é que sempre estaremos fazendo alguma coisa, ainda que seja lamentar a impossibilidade de continuar nossos projetos.
Grande exemplo pra mim é quando encaramos restrições para a prática daquilo que gostamos ou temos como objetivo: Kung Fu por exemplo, ou natação; Quando nos lesionamos, somos tomados, muitas vezes, por uma terrível impaciência com nós mesmos, nos apegamos ao futuro da nossa recuperação pra voltar a praticar essas atividades diversas que tanto significam pra nós, Kung Fu ou natação são só exemplos, pode-se aplicar essa ideia a quase tudo.
Ficamos doentes, ou passamos por uma situação familiar que nos tira o equilíbrio necessário para realizar algumas tarefas, nos machucamos, enfim, encaramos uma série de impedimentos que interrompem, na maior parte das vezes temporariamente, nossos "projetos"...e nos afogamos em frustrações...
E muitas vezes, diante dessas restrições ocasionais, insistimos (quantas distensões poderiam ser evitadas...), o que pode resultar num problema ainda maior, um impedimento mais grave ou permanente daquele "plano-projeto" que pretendíamos seguir...E daí, nossa frustração pode tomar uma dimensão ainda mais profunda e destruidora em nossas vidas...
Me lembro quando eu ficava muito ansioso no treino de kung fu, ao ponto de passar mal e ficar impedido de treinar e o quão grande era minha frustração por aquilo, e em vista da expectativa minha e de meus próprios amigos sobre meu papel ali dentro, o impedimento era sério, mas eu enfrentei varias vezes, o que resultava em diversas vezes que eu passei mal e precisei voltar pra casa e fiquei mal o resto do dia por causa das crises ansiosas...
Piorou até, porque passei a ter "medo de passar mal", e projetar nas ações futuras, a possibilidade de eu pirar, o que me colocava um problema presente: Ficava ansioso, antes mesmo de me expor a qualquer situação que me pudesse levar a ficar ansioso, as crises pioraram...
A restrição, no entanto, me fez aprender a ver as coisas por outra perspectiva: Não posso fazer hoje. Não se trata de "deixar para o amanhã", simplesmente de reconhecer que seria mais danoso insistir e, sobretudo, não era a única coisa para se fazer... Nunca é...
O importante não é o projeto ou o que eu poderia estar fazendo, mas o que faço ou o que posso fazer, independentemente do que seja, mas no hoje, nesse "presente" que é o agora. E talvez isso não siga os planos esperados, os grandes projetos, e talvez contribua muito pouco para esse tão esperado "futuro"...
Existem mil coisas para se dedicar diante da restrição de não treinar, de não poder fazer, que é no mínimo um treinamento da paciência para respeitarmos esse tempo de recuperação e retomarmos nossos (tão apressados) projetos... ou... revê-los.
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Esconderijos...
Quando pequeno, bem me lembro, na casa de minha avó, ou em minha propria casa, gostava as vezes, me esconder dos mais velhos, de minha vó, meu avo, minha tia, mãe ou pai, meu esconderijo favorito eram guarda-roupas.. Assim que gritavam meu nome, eu já me punha a procurar logo um bom lugar pra me esconder...
Escondido eu ficava por muito tempo, de me apertar a bexiga e suar as mãos. De ficar até com medo de ficar preso no armário, de até achar que todo mundo tinha ido embora... é... quando paravam de me chamar, a brincadeira perdia a graça...
Nos meus esconderijos, mesmo nos que eu mais me esforçava para inventar, o que eu mais queria mesmo... era ser encontrado.
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Escondido eu ficava por muito tempo, de me apertar a bexiga e suar as mãos. De ficar até com medo de ficar preso no armário, de até achar que todo mundo tinha ido embora... é... quando paravam de me chamar, a brincadeira perdia a graça...
Nos meus esconderijos, mesmo nos que eu mais me esforçava para inventar, o que eu mais queria mesmo... era ser encontrado.
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
fracassos...
"Não conclui o curso, larguei a faculdade."
Frase difícil, agarrada na garganta. Soa como uma vergonha enorme, ou doença, que me tomou por completo. Falo devagar e mansinho, com medo das reações e cheio de vergonha da situação constrangedora...
"E agora, como você vai fazer?" Diz o interlocutor espantado, se afastando alguns centímetros, afinal, vai que é contagioso.
As pessoas procuram por objetivos em mim a cada pergunta que fazem, como se tivesse acabado de matar alguém. Eu mesmo me sinto assim as vezes, como se tivesse cometido algo terrível.
Não, eu simplesmente não consegui. E não quis continuar tentando...
Ser esfolado vivo nunca foi meu modo predileto de morrer e continua não sendo.
À porta de minha casa solitária fixaram a Placa "Fracassado - mantenham distancia".
Como se o peso de minhas próprias duvidas e inseguranças não fosse suficiente.
Resignado, fecho a porta.
Não vou brigar com estes "de Sucesso", essa estirpe de novos-vencedores, que lançam sua sombra sobre o mundo. Quem sou eu, reles desistente, para tentar desafiar-lhes o espírito? Para desafiar seus inumeros sucessos e sacrifícios feitos. Sacrifícios de Afeto, Sangue e Tempo... como eu poderia chegar aos pés de tamanha oferenda?
Sentado em minha cadeira, dentro de meu pequeno lar interior, eu penso, sobre os tantos que "fracassam", sem ter a chance de tentar. Eu penso sobre os meus "fracassos", e me salvo uma fagulha viva ao qual posso acender uma lareira para me aquecer:
Não sacrifiquei ninguém, nem a companhia dos meus queridos, nem meu sangue, nem meus afetos, em nome desse Deus Sucesso.
E me entristeço ao lembrar, dos tantos envergonhados-fracassados como eu, que tomados pela culpa e pela angustia, ofereceram a este deus-glutão, não mais que suas próprias vidas...
E penso comigo mesmo "A este, não vou servir nunca".
E quando as cartas chegam , a se empilhar em minha porta... perguntando acerca de meus objetivos - objetivos - objetivos - como vou fazer agora - o que vou oferecer ao Sucesso? Ao Futuro?
"Não sei, acho que Nada, apenas gostaria de aprender a tratar as pessoas melhor."
E ao fundo... vou ouvindo alguém cantando...
"Qual é a paz que eu não quero aceitar pra tentar ser feliz..."
Olho no espelho, e me vejo, curtindo um som, com 11 anos.
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Frase difícil, agarrada na garganta. Soa como uma vergonha enorme, ou doença, que me tomou por completo. Falo devagar e mansinho, com medo das reações e cheio de vergonha da situação constrangedora...
"E agora, como você vai fazer?" Diz o interlocutor espantado, se afastando alguns centímetros, afinal, vai que é contagioso.
As pessoas procuram por objetivos em mim a cada pergunta que fazem, como se tivesse acabado de matar alguém. Eu mesmo me sinto assim as vezes, como se tivesse cometido algo terrível.
Não, eu simplesmente não consegui. E não quis continuar tentando...
Ser esfolado vivo nunca foi meu modo predileto de morrer e continua não sendo.
À porta de minha casa solitária fixaram a Placa "Fracassado - mantenham distancia".
Como se o peso de minhas próprias duvidas e inseguranças não fosse suficiente.
Resignado, fecho a porta.
Não vou brigar com estes "de Sucesso", essa estirpe de novos-vencedores, que lançam sua sombra sobre o mundo. Quem sou eu, reles desistente, para tentar desafiar-lhes o espírito? Para desafiar seus inumeros sucessos e sacrifícios feitos. Sacrifícios de Afeto, Sangue e Tempo... como eu poderia chegar aos pés de tamanha oferenda?
Sentado em minha cadeira, dentro de meu pequeno lar interior, eu penso, sobre os tantos que "fracassam", sem ter a chance de tentar. Eu penso sobre os meus "fracassos", e me salvo uma fagulha viva ao qual posso acender uma lareira para me aquecer:
Não sacrifiquei ninguém, nem a companhia dos meus queridos, nem meu sangue, nem meus afetos, em nome desse Deus Sucesso.
E me entristeço ao lembrar, dos tantos envergonhados-fracassados como eu, que tomados pela culpa e pela angustia, ofereceram a este deus-glutão, não mais que suas próprias vidas...
E penso comigo mesmo "A este, não vou servir nunca".
E quando as cartas chegam , a se empilhar em minha porta... perguntando acerca de meus objetivos - objetivos - objetivos - como vou fazer agora - o que vou oferecer ao Sucesso? Ao Futuro?
"Não sei, acho que Nada, apenas gostaria de aprender a tratar as pessoas melhor."
E ao fundo... vou ouvindo alguém cantando...
"Qual é a paz que eu não quero aceitar pra tentar ser feliz..."
Olho no espelho, e me vejo, curtindo um som, com 11 anos.
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Sobre os poemas...
Um dia contaram para mim que eu escrevia poemas. Eu não sabia, eu quase sempre sento aqui e escrevo, n'outras horas desisto, n'outras horas olho para página em branco diante de meus olhos ou simplesmente sou distraído por outras coisas, e isso nunca teve nome... As vezes "meus escritos"... ou "os textos do blog".
Embora a prosa vá se desfazendo ao longo do tempo, nessas linhas soltas nunca foi meu intuito tornar as palavras poemas, na verdade são elas que me indicam o caminho, como a harmonia de uma música... as frases as vezes são jogadas como pedem (ou como podem), e em alguns parágrafos só cabe uma palavra, noutros, nenhuma...
As palavras e eu, nós nos pedimos mutuamente. Não poderia viver sem dize-las, e são elas que me dizem a todo momento. Me escrevem a todo momento...E a todo momento, me despertencem...
Tocam nas vidas de outras pessoas, transformar e são transformadas, magicamente, ganham outros nomes, texturas, dimensões..
Essas palavras que se pertencem, não me pertencem e por isso ganham outros nomes além dos que dei...
Porque, como para mim, "dizem muito" à outras pessoas...
Fico feliz que seja assim.
Obrigado.
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Embora a prosa vá se desfazendo ao longo do tempo, nessas linhas soltas nunca foi meu intuito tornar as palavras poemas, na verdade são elas que me indicam o caminho, como a harmonia de uma música... as frases as vezes são jogadas como pedem (ou como podem), e em alguns parágrafos só cabe uma palavra, noutros, nenhuma...
As palavras e eu, nós nos pedimos mutuamente. Não poderia viver sem dize-las, e são elas que me dizem a todo momento. Me escrevem a todo momento...E a todo momento, me despertencem...
Tocam nas vidas de outras pessoas, transformar e são transformadas, magicamente, ganham outros nomes, texturas, dimensões..
Essas palavras que se pertencem, não me pertencem e por isso ganham outros nomes além dos que dei...
Porque, como para mim, "dizem muito" à outras pessoas...
Fico feliz que seja assim.
Obrigado.
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Passagens...
Passa um tempo, ou vento...
E Tudo vira calmaria.
Já não importa mais contar as dores.
No auge da angustia, todas as angustias a se desfazerem em pó.
A tristeza se cala diante do silencio...
A serenidade brota da terra devastada,
E transforma...
Aquilo que já não é
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E Tudo vira calmaria.
Já não importa mais contar as dores.
No auge da angustia, todas as angustias a se desfazerem em pó.
A tristeza se cala diante do silencio...
A serenidade brota da terra devastada,
E transforma...
Aquilo que já não é
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Ruínas...
Um Colosso de Rhodes risonho despenca de cabeça para baixo,
Cheio de trincas e rachaduras, pronto para se espatifar contra o mundo.
Segurado apenas por uns poucos fios de teia de Aranha amarrados no céu.
Desse Céu, chovem Fragatas e Galeões de guerra, com seus canhões a vomitar flores mortas.
Não há estrelas no céu porque não é possível vê-las.
O ar carregado tem cheiro de incenso,
Não há nada na Terra que permaneça,
Me lembro que a única coisa que "temiam os Gauleses"
"Era que o Céu caisse sobre suas cabeças"...
E eu, que achava isso tudo tão estranho...
Acho que entendo...
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Cheio de trincas e rachaduras, pronto para se espatifar contra o mundo.
Segurado apenas por uns poucos fios de teia de Aranha amarrados no céu.
Desse Céu, chovem Fragatas e Galeões de guerra, com seus canhões a vomitar flores mortas.
Não há estrelas no céu porque não é possível vê-las.
O ar carregado tem cheiro de incenso,
Não há nada na Terra que permaneça,
Me lembro que a única coisa que "temiam os Gauleses"
"Era que o Céu caisse sobre suas cabeças"...
E eu, que achava isso tudo tão estranho...
Acho que entendo...
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Das coisas que entristecem...
O quanto perdemos tempo com os "resultados" e as "cobranças" e não podemos aproveitar a companhia de quem nos é importante. Como as obrigações que deveriam produzir uma vida prospera, se tornam muitas vezes, a causa da própria infelicidade...
Como deixamos de nos falar, por motivos frágeis, apegados à expectativa que tínhamos sobre os outros (e vice-versa) justificando para nós mesmos um rompimento que muitas vezes nem desejávamos.
Me entristece o poder capaz de cortar (ou silenciar) laços. Do sofrimento que surge com as insatisfações que carregamos sobre nós mesmos, com todas as nossas "culpas" e "deveres" a nos preencher como cacos de vidro...
Outdoors me entristecem. Com seus sorrisos brancos, com seu modo de vida, "consumo-felicidade", com sua reprodução exaustiva, a ponto de não ter para onde olhar que não me remeta à esse modo "shopping-center" de ser-estar.
Me incomoda a exclusividade das coisas. E as justificativas do privilégio...
A insanidade que ronda o senso comum, dessa desumanidade que muitas vezes tenta se justificar como Justiça.
O tédio de meus alunos me entristece, pois queria que amassem com fervor a vida a cada momento, pudessem a aproveita-la e descobrir como dela criar, sem serem compelidos e forçados a vivenciar esse tédio por tantos e tantos anos... Me entristece a violência com que aprendem a se relacionar.
E a terrível sensação de impotência diante do tamanho das dificuldades. Dos meus próprios problemas... Das coisas abandonadas.
Me entristece saber que a dor, a morte ou a doença, todo tipo de sofrimento que estamos sujeitos, passa desapercebido às nossas pequenas disputas diárias... Sinto saudades de pessoas que não vejo mais. E delas o meu respeito para evitar tamanha tolice.
Me entristece essa ruína de mim mesmo, que luta pra se recompor.
Esse sem-rumo, levado por uma maré de perguntas,
E os meus fracassos intermináveis... e essa intolerância toda...
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Como deixamos de nos falar, por motivos frágeis, apegados à expectativa que tínhamos sobre os outros (e vice-versa) justificando para nós mesmos um rompimento que muitas vezes nem desejávamos.
Me entristece o poder capaz de cortar (ou silenciar) laços. Do sofrimento que surge com as insatisfações que carregamos sobre nós mesmos, com todas as nossas "culpas" e "deveres" a nos preencher como cacos de vidro...
Outdoors me entristecem. Com seus sorrisos brancos, com seu modo de vida, "consumo-felicidade", com sua reprodução exaustiva, a ponto de não ter para onde olhar que não me remeta à esse modo "shopping-center" de ser-estar.
Me incomoda a exclusividade das coisas. E as justificativas do privilégio...
A insanidade que ronda o senso comum, dessa desumanidade que muitas vezes tenta se justificar como Justiça.
O tédio de meus alunos me entristece, pois queria que amassem com fervor a vida a cada momento, pudessem a aproveita-la e descobrir como dela criar, sem serem compelidos e forçados a vivenciar esse tédio por tantos e tantos anos... Me entristece a violência com que aprendem a se relacionar.
E a terrível sensação de impotência diante do tamanho das dificuldades. Dos meus próprios problemas... Das coisas abandonadas.
Me entristece saber que a dor, a morte ou a doença, todo tipo de sofrimento que estamos sujeitos, passa desapercebido às nossas pequenas disputas diárias... Sinto saudades de pessoas que não vejo mais. E delas o meu respeito para evitar tamanha tolice.
Me entristece essa ruína de mim mesmo, que luta pra se recompor.
Esse sem-rumo, levado por uma maré de perguntas,
E os meus fracassos intermináveis... e essa intolerância toda...
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