Na Promessa incerta do futuro...
Perder nosso Presente...
(e o que era perder o presente, se não tudo?)
.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Quebra-me..
Com o impossível, o inalcançável;
Tinge minhas roupas,
Com o Intangível Inodoro
Sacode minha vida de leve
Lava toda minha c'alma,
E seca-me à sombra do Mar...
De me abraços abertos para o Céu,
Onde meus olhos atentos me distraem,
E meus ouvidos que já não ouvem, ladram;
Nesse par sozinho morro toda noite
Para acordar mais bobo em outro dia;
Com estrelas No pé do ouvido...
.
Tinge minhas roupas,
Com o Intangível Inodoro
Sacode minha vida de leve
Lava toda minha c'alma,
E seca-me à sombra do Mar...
De me abraços abertos para o Céu,
Onde meus olhos atentos me distraem,
E meus ouvidos que já não ouvem, ladram;
Nesse par sozinho morro toda noite
Para acordar mais bobo em outro dia;
Com estrelas No pé do ouvido...
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terça-feira, 25 de março de 2014
Fervura...
Tenho os nós dos dedos em sangue,
De nós na garganta apertados,
E disso tudo um engasgo...
Tenho a boca presa entre dentes,
Que arranham e arrastam impacientes,
Mas que sobretudo, calam...
Tenho fervura que me corre pelas veias como ferro derretido;
Indginidades que me saltam pela pele,
Nada que não seja refletido pelos olhos...
Apenas.
Todas essas feridas,
E só.
.
De nós na garganta apertados,
E disso tudo um engasgo...
Tenho a boca presa entre dentes,
Que arranham e arrastam impacientes,
Mas que sobretudo, calam...
Tenho fervura que me corre pelas veias como ferro derretido;
Indginidades que me saltam pela pele,
Nada que não seja refletido pelos olhos...
Apenas.
Todas essas feridas,
E só.
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sábado, 8 de março de 2014
Areias...
Meu rosto arde, areia da praia, posso sentir vento do mar e seu gosto salino por toda parte;
Minhas vestes ensopadas, meus cortes ardidos...
Todos os músculos e ossos doem, ouço o mar a se quebrar contra rochas e contra si mesmo;
Devagar, abro meus cansados olhos para reconhecer velhas formas novas...
Me viro para vê-lo e os restos de madeira espalhados por todo lugar;
Não há vida nem destino, só eu ali, acordado, diante do mar;
Algo de hipnótico em seu som, algo que leve me surge;
Como os ventos que mudam de direção,
E as rochas que se derretem ao chocar continuo das ondas...
Por um instante, não mais que um instante,
sou apenas essa areia, essa rocha desfeita de vento, água e sal;
a ouvir, como um pequenino grão,
a melodia do Oceano;
[em silêncio]
.
Minhas vestes ensopadas, meus cortes ardidos...
Todos os músculos e ossos doem, ouço o mar a se quebrar contra rochas e contra si mesmo;
Devagar, abro meus cansados olhos para reconhecer velhas formas novas...
Me viro para vê-lo e os restos de madeira espalhados por todo lugar;
Não há vida nem destino, só eu ali, acordado, diante do mar;
Algo de hipnótico em seu som, algo que leve me surge;
Como os ventos que mudam de direção,
E as rochas que se derretem ao chocar continuo das ondas...
Por um instante, não mais que um instante,
sou apenas essa areia, essa rocha desfeita de vento, água e sal;
a ouvir, como um pequenino grão,
a melodia do Oceano;
[em silêncio]
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quinta-feira, 6 de março de 2014
Desesperos...
Nas minhas burrices e mentiras, nas 'verdades' e 'realidades' que esbarro por aí;
Saio do protocolo;
Perco meu tempo, perco meu modo;
Eu grito, porque "é muito burro",
Por não ouvir, e arriscar a perder, não um, mas três filhos.
E sua falta de gentileza me dá nos nervos.
Tanta coisa sua me tira do sério afinal, não?
Justifica seus metodos num objetivo que poucos estão aptos a cumprir.
E nas tuas próprias palavras - "Você pra mim é uma grande decepção, só isso."
Palavras feitas pra ferir sem dúvida, talvez nem seja o que você pensa mesmo.
Novamente sustentadas nessa justificativa de que para me ensinar certas coisas
vale a dureza das tuas palavras, das tuas ausências, fechadas com chave de ouro em ameaças.
Você canta muito de galo à própria morte, e usa como defesa as contrafeitas a ti;
E parece estar num carro a duzentos por hora, correndo em direção a um muro;
Te vejo a cada cigarro, a cada desfeita, a cada ódio ou desprezo cultivado, um suicídio diário.
E eu odeio, amo
e me desespero.
"Tu é burro?";
Eu sei, não é a melhor maneira de dizer...
Estou cansado de ouvir o quanto eu decepciono,
Mas eu não me engano e bem sei,
que meu ressentimento faz fronteira com saudade...
E que minha raiva vem da minha falta de pai...
Mas você não aparece... parece continuar querer morrer;
Fica atrás dos teus protocolos, modos e medos...
A mandar e emitir juizos, a saber de todas as coisas,
sempre tem algo a dizer, sempre vê mais verdade sobre a vida dos outros do que elas próprias...
Corre com a vida em desafetos, há 200 por hora em direção ao muro...
Vê problema em tudo, menos nisso, se faz de surdo...
"As vezes o problema não está nas coisas que a gente vê, mas nos óculos que a gente usa..."
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Saio do protocolo;
Perco meu tempo, perco meu modo;
Eu grito, porque "é muito burro",
Por não ouvir, e arriscar a perder, não um, mas três filhos.
E sua falta de gentileza me dá nos nervos.
Tanta coisa sua me tira do sério afinal, não?
Justifica seus metodos num objetivo que poucos estão aptos a cumprir.
E nas tuas próprias palavras - "Você pra mim é uma grande decepção, só isso."
Palavras feitas pra ferir sem dúvida, talvez nem seja o que você pensa mesmo.
Novamente sustentadas nessa justificativa de que para me ensinar certas coisas
vale a dureza das tuas palavras, das tuas ausências, fechadas com chave de ouro em ameaças.
Você canta muito de galo à própria morte, e usa como defesa as contrafeitas a ti;
E parece estar num carro a duzentos por hora, correndo em direção a um muro;
Te vejo a cada cigarro, a cada desfeita, a cada ódio ou desprezo cultivado, um suicídio diário.
E eu odeio, amo
e me desespero.
"Tu é burro?";
Eu sei, não é a melhor maneira de dizer...
Estou cansado de ouvir o quanto eu decepciono,
Mas eu não me engano e bem sei,
que meu ressentimento faz fronteira com saudade...
E que minha raiva vem da minha falta de pai...
Mas você não aparece... parece continuar querer morrer;
Fica atrás dos teus protocolos, modos e medos...
A mandar e emitir juizos, a saber de todas as coisas,
sempre tem algo a dizer, sempre vê mais verdade sobre a vida dos outros do que elas próprias...
Corre com a vida em desafetos, há 200 por hora em direção ao muro...
Vê problema em tudo, menos nisso, se faz de surdo...
"As vezes o problema não está nas coisas que a gente vê, mas nos óculos que a gente usa..."
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quarta-feira, 5 de março de 2014
Burrice...
"É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã...
Porque se você parar pra pensar... na verdade, não há."
Educar-educador;
Começa no olhar e se estende pelos braços, as pontas dos dedos (das mãos e dos pés). Começa com o carinho ou dureza nos olhos, e se andar é andar mesmo, ou se é algo mais parecido com marchar. Se a voz soa, como trovão, ou amena como o vento as vezes...
Horas nossos olhares são duros, mas não precisam, para isso, perder o carinho;
Horas nossos passos são apressados e duros, mas sem perder o compasso;
Horas gritamos, falamos como trovões, disparamos raios, mas não precisamos de esquecer com quem falamos...
A burrice rígida é o esquecimento do carinho; É achar que ser duro, justifica o 'fim' de tornar um ser "educado", seja lá o que isso for. Educar acontece, muitas vezes "a parte" da presença ou do conselho dos nossos mestres, quando não na contra mão desses "conselhos", dessa "educação"; Quando se esquece esse carinho, esse cuidado, deixamos de ser pessoas, nos tornamos métodos
Mas a gente não aprende com métodos, aprende com pessoas.
"A Terra tá soterrada de violência, de guerra, de sofrimento, de desespero..."
Educar é a possibilidade de encontro, entre almas diferentes, que pode colorir de muitas maneiras nosso mundo. Pais ou professores só gozam da possibilidade de terem mais tempo juntos com seus pressupostos "educandos" (e na real, têm tanto a aprender), se vão ensinar, se vão ser compreendidos... já é outra história...
Burrice do professor (ou do pai), que se acha, fonte do conhecimento, provedor da razão; Que para todos os seus métodos duros, se justifica no aprendizado do aluno, que já não enxerga e se tornou apenas um meio para um fim, e assim tornou seu próprio aluno - algo incompleto.
[Riqueza dos olhos vivos (e corpos) dos bagunceiros ]
.
P.S: Como pode ser tão burro?
Porque se você parar pra pensar... na verdade, não há."
Educar-educador;
Começa no olhar e se estende pelos braços, as pontas dos dedos (das mãos e dos pés). Começa com o carinho ou dureza nos olhos, e se andar é andar mesmo, ou se é algo mais parecido com marchar. Se a voz soa, como trovão, ou amena como o vento as vezes...
Horas nossos olhares são duros, mas não precisam, para isso, perder o carinho;
Horas nossos passos são apressados e duros, mas sem perder o compasso;
Horas gritamos, falamos como trovões, disparamos raios, mas não precisamos de esquecer com quem falamos...
A burrice rígida é o esquecimento do carinho; É achar que ser duro, justifica o 'fim' de tornar um ser "educado", seja lá o que isso for. Educar acontece, muitas vezes "a parte" da presença ou do conselho dos nossos mestres, quando não na contra mão desses "conselhos", dessa "educação"; Quando se esquece esse carinho, esse cuidado, deixamos de ser pessoas, nos tornamos métodos
Mas a gente não aprende com métodos, aprende com pessoas.
"A Terra tá soterrada de violência, de guerra, de sofrimento, de desespero..."
Educar é a possibilidade de encontro, entre almas diferentes, que pode colorir de muitas maneiras nosso mundo. Pais ou professores só gozam da possibilidade de terem mais tempo juntos com seus pressupostos "educandos" (e na real, têm tanto a aprender), se vão ensinar, se vão ser compreendidos... já é outra história...
Burrice do professor (ou do pai), que se acha, fonte do conhecimento, provedor da razão; Que para todos os seus métodos duros, se justifica no aprendizado do aluno, que já não enxerga e se tornou apenas um meio para um fim, e assim tornou seu próprio aluno - algo incompleto.
[Riqueza dos olhos vivos (e corpos) dos bagunceiros ]
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P.S: Como pode ser tão burro?
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
O que estamos fazendo?
Outro dia pipocaram as surpresas de minha saída da Unicamp. As perguntas vinham rápidas, e com um tempero de receio: "Mas e agora, o que você vai fazer?", não eram feitas com maldade, mas com uma preocupação sincera, mas ao mesmo tempo, desentendiam qualquer possibilidade que não fosse "terminar a faculdade custe o que custar".
Eu não me dei com essa ideia do "custe o que custar". E na onda de se falar sobre "não deixar o que se pode fazer hoje para amanhã", eu começo a perguntar (para mim e para os outros): "O que estamos fazendo?"
A pergunta tem em si um elemento que as vezes me parece faltar nessa perspectiva de não "deixar nada pra amanhã". A questão do o que eu deixo, e o que não... é que Algumas coisas ficam para amanhã, inevitavelmente... Ou nem para amanhã ficam, ficaram... pro ontem, e não serão retomadas jamais pelo meu próprio esforço, mas o ponto é que sempre estaremos fazendo alguma coisa, ainda que seja lamentar a impossibilidade de continuar nossos projetos.
Grande exemplo pra mim é quando encaramos restrições para a prática daquilo que gostamos ou temos como objetivo: Kung Fu por exemplo, ou natação; Quando nos lesionamos, somos tomados, muitas vezes, por uma terrível impaciência com nós mesmos, nos apegamos ao futuro da nossa recuperação pra voltar a praticar essas atividades diversas que tanto significam pra nós, Kung Fu ou natação são só exemplos, pode-se aplicar essa ideia a quase tudo.
Ficamos doentes, ou passamos por uma situação familiar que nos tira o equilíbrio necessário para realizar algumas tarefas, nos machucamos, enfim, encaramos uma série de impedimentos que interrompem, na maior parte das vezes temporariamente, nossos "projetos"...e nos afogamos em frustrações...
E muitas vezes, diante dessas restrições ocasionais, insistimos (quantas distensões poderiam ser evitadas...), o que pode resultar num problema ainda maior, um impedimento mais grave ou permanente daquele "plano-projeto" que pretendíamos seguir...E daí, nossa frustração pode tomar uma dimensão ainda mais profunda e destruidora em nossas vidas...
Me lembro quando eu ficava muito ansioso no treino de kung fu, ao ponto de passar mal e ficar impedido de treinar e o quão grande era minha frustração por aquilo, e em vista da expectativa minha e de meus próprios amigos sobre meu papel ali dentro, o impedimento era sério, mas eu enfrentei varias vezes, o que resultava em diversas vezes que eu passei mal e precisei voltar pra casa e fiquei mal o resto do dia por causa das crises ansiosas...
Piorou até, porque passei a ter "medo de passar mal", e projetar nas ações futuras, a possibilidade de eu pirar, o que me colocava um problema presente: Ficava ansioso, antes mesmo de me expor a qualquer situação que me pudesse levar a ficar ansioso, as crises pioraram...
A restrição, no entanto, me fez aprender a ver as coisas por outra perspectiva: Não posso fazer hoje. Não se trata de "deixar para o amanhã", simplesmente de reconhecer que seria mais danoso insistir e, sobretudo, não era a única coisa para se fazer... Nunca é...
O importante não é o projeto ou o que eu poderia estar fazendo, mas o que faço ou o que posso fazer, independentemente do que seja, mas no hoje, nesse "presente" que é o agora. E talvez isso não siga os planos esperados, os grandes projetos, e talvez contribua muito pouco para esse tão esperado "futuro"...
Existem mil coisas para se dedicar diante da restrição de não treinar, de não poder fazer, que é no mínimo um treinamento da paciência para respeitarmos esse tempo de recuperação e retomarmos nossos (tão apressados) projetos... ou... revê-los.
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Eu não me dei com essa ideia do "custe o que custar". E na onda de se falar sobre "não deixar o que se pode fazer hoje para amanhã", eu começo a perguntar (para mim e para os outros): "O que estamos fazendo?"
A pergunta tem em si um elemento que as vezes me parece faltar nessa perspectiva de não "deixar nada pra amanhã". A questão do o que eu deixo, e o que não... é que Algumas coisas ficam para amanhã, inevitavelmente... Ou nem para amanhã ficam, ficaram... pro ontem, e não serão retomadas jamais pelo meu próprio esforço, mas o ponto é que sempre estaremos fazendo alguma coisa, ainda que seja lamentar a impossibilidade de continuar nossos projetos.
Grande exemplo pra mim é quando encaramos restrições para a prática daquilo que gostamos ou temos como objetivo: Kung Fu por exemplo, ou natação; Quando nos lesionamos, somos tomados, muitas vezes, por uma terrível impaciência com nós mesmos, nos apegamos ao futuro da nossa recuperação pra voltar a praticar essas atividades diversas que tanto significam pra nós, Kung Fu ou natação são só exemplos, pode-se aplicar essa ideia a quase tudo.
Ficamos doentes, ou passamos por uma situação familiar que nos tira o equilíbrio necessário para realizar algumas tarefas, nos machucamos, enfim, encaramos uma série de impedimentos que interrompem, na maior parte das vezes temporariamente, nossos "projetos"...e nos afogamos em frustrações...
E muitas vezes, diante dessas restrições ocasionais, insistimos (quantas distensões poderiam ser evitadas...), o que pode resultar num problema ainda maior, um impedimento mais grave ou permanente daquele "plano-projeto" que pretendíamos seguir...E daí, nossa frustração pode tomar uma dimensão ainda mais profunda e destruidora em nossas vidas...
Me lembro quando eu ficava muito ansioso no treino de kung fu, ao ponto de passar mal e ficar impedido de treinar e o quão grande era minha frustração por aquilo, e em vista da expectativa minha e de meus próprios amigos sobre meu papel ali dentro, o impedimento era sério, mas eu enfrentei varias vezes, o que resultava em diversas vezes que eu passei mal e precisei voltar pra casa e fiquei mal o resto do dia por causa das crises ansiosas...
Piorou até, porque passei a ter "medo de passar mal", e projetar nas ações futuras, a possibilidade de eu pirar, o que me colocava um problema presente: Ficava ansioso, antes mesmo de me expor a qualquer situação que me pudesse levar a ficar ansioso, as crises pioraram...
A restrição, no entanto, me fez aprender a ver as coisas por outra perspectiva: Não posso fazer hoje. Não se trata de "deixar para o amanhã", simplesmente de reconhecer que seria mais danoso insistir e, sobretudo, não era a única coisa para se fazer... Nunca é...
O importante não é o projeto ou o que eu poderia estar fazendo, mas o que faço ou o que posso fazer, independentemente do que seja, mas no hoje, nesse "presente" que é o agora. E talvez isso não siga os planos esperados, os grandes projetos, e talvez contribua muito pouco para esse tão esperado "futuro"...
Existem mil coisas para se dedicar diante da restrição de não treinar, de não poder fazer, que é no mínimo um treinamento da paciência para respeitarmos esse tempo de recuperação e retomarmos nossos (tão apressados) projetos... ou... revê-los.
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