segunda-feira, 23 de março de 2015

Nostalgias...

Retorno aos textos, muito do que digo de mim hoje, foi o que já disse antes.
Nada de novo sobre o Sol? Não sei. Por que diabos me acompanha esse Eterno Retorno? Por que diabos eu o acompanho?

Por que esse retorno aos textos e memorias, aos momentos e historias?

Na fala, a narrativa é outra, diferente da que viveu, na escrita a leitura é diferente, de quem um dia escreveu. Sou e serei um traidor de mim mesmo sempre: Nenhuma palavra me fixa, nenhuma leitura me prende, facilmente me esqueço dos meus por ques e das motivações das minhas palavras. D'outras até lembro, mas já não vejo da mesma forma - e não tenho nenhum problema com isso, acho divertido, parte do que há de mais magico no mundo,  a mudança.

Não me lembro bem quem era quando de uma certa forma escrevi algo, nem me lembro o que me atravessava no momento, sei que no reencontro, encontro outros sentidos, talvez nem tão iguais, talvez nem tão diferentes, dos de outrora.

E sei que o modo como eu escuto, as vezes minhas proprias palavras, não é nem perto do que um dia foi. Não porque se ampliou, não porque hoje eu escuto melhor que antes... é simplesmente uma questão de foco, as cores que antes capturavam meus olhos, não sãos as mesmas cores que o capturam hoje, nem são os sons que ouvia e me encantavam, os mesmos que me encantam hoje...

Não é que não há nada para dizer...

Só estou nesse silêncio a meio termo, de reconhecer o hoje pelo que um dia eu não era.


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segunda-feira, 16 de março de 2015

Aprendizado do Limite...

No caminho escolhido,

Eu aprendi a me esquecer de mim,

E um dia, meu corpo decidiu lembrar.

E meu corpo, que não confia em mim,

Me derruba, pra me recordar;

O que acostumei

Esquecer.


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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Escorrer a loucura...

Tenho feito muitas orações ultimamente.
Pedidos, feitos às escuras num quarto, ou em algum canto de minha mente.
Peço, silenciosamente, que toda minha raiva se torne tristeza,
Que toda culpa, vergonha, que toda sensação de desamparo, se torne tristeza
Porque é mais fácil lidar com a tristeza...

E que essa tristeza, que também é todas essas outras coisas, possa escorrer de mim.
Se essa tristeza precisa vir ao mundo de alguma forma,
Que seja na forma de gota, nas lagrimas de um chorar silencioso.
(Que são, nesse momento, o meu modo de gritar)

Nessa minha tentativa, um tanto perdida, muitas vezes frustrada.

De escorrer a Loucura.


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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Longa-escrita

Como eu gostaria, algo entre o caderno e a tela de um editor de textos. Poder riscar no caderno, escrever na ponta da caneta sempre me dá uma ótima sensação, e as palavras fluem e as longas histórias que gostaria de contar se esboçam ali naquelas linhas. Mas , com frequência, pelo quantidade, e pelo cansaço, a letra se deforma, as palavras se confundem, as ideias se esmaecem, me perco no meu próprio oceano de palavras. Não sei do que disse, nem do que vou dizer, não há como localizar no texto e reler, com frequência, me faz recomeçar. A longa escrita tanto desejada, os contos, as narrativas, as histórias, são recontadas mil vezes, mas nunca terminadas, tampouco publicadas. Ah! Como eu queria algo, entre o papel branco do editor de textos e o caderno aberto sobre a mesa...


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Sobre a sede...

Com frequência, nosso esforço de nos auto-afirmar,
É também um esforço de saciar a sede
De afeto que nos aflige;


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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Às metades...

Ando meio assim mais ou menos.

Com tantas coisas pela metade,

Despedidas e despedaços,

Nada que me integre,

A não ser...

essa falta...


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domingo, 28 de dezembro de 2014

Alguns pensamentos sozinhos...

Perceber o vento, e o peso do corpo. Concentrar-se na respiração, é uma busca por focar a mente no presente. Não seria despertar presentificar a mente?

O esforço sem o anseio pelo resultado, o esforço mais difícil de ser realizado?

A espera pelo resultado, não é , de uma certa maneira, uma expectativa sobre as coisas incertas e impermanentes?

Pensamentos solitário me acompanham, tenho por algum tempo sido aluno-sem-professor. Por minha responsabilidade, evidentemente, desconfiado, meu pote tem muitas coisas, não está vazio...

Me atraem as coisas que são menos estruturadas, menos comprovadas, me atraí aquilo que não preocupa em se dizer verdade, e se afirmar a partir de provas.. Há para quem isso seja importante, e que bom. Porque imagino, que não é importante que saibamos de tudo e sejamos tão amplos e equilibrados, abarcar tudo em nós, é importante estar aberto à possibilidade da diferença, conviver bem com ela (e isso é com frequência bastante difícil).

Meu melhor exemplo é a escola. Muitas vezes me disseram, que minhas pretensões são utópicas, porque em qualquer meio em que eu possa vir a lecionar, a maioria dos outros professores não pensarão como eu... Antes, esse pensamento me assustava, me fazia sentir isolado e lutando contra algo muito maior... hoje eu acho bom...

Porque é a percepção da diferença, o que eu desejo comunicar... A existência de docentes e práticas do ensinar diferentes dentro de um mesmo meio, não é ruim, mas enriquecedora da experiência dos alunos, em termos da construção da percepção deles, de sua autonomia, sobre aquilo que desejam, aquilo que escolhem, aquilo que toleram...

E isso eu tomo para minha vida... de certa maneira... me afirmo dentro dos meus radicalismos e limitações... não pretendo abarcar tudo.

Me agrada o que se desfaz, o que não prende, a não verdade, a duvida...

O que mais me encantava no estudo da história, eram suas lacunas, mais do que suas palavras...

Diz muito...



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