sexta-feira, 27 de março de 2015

Sonhos de Helena...

E eu via, você a trançar as madeixas negras dos cabelos de Helena;
Ambas de pés descalços no quintal, um som de água corrente muito perto;
Você cantarolava aos pés do ouvido de Helena, me provocando, porque sabia que adoraria te ouvir cantando e ela, audivelmente, te acompanhava. 

Eu observava, recostado numa coluna de madeira, com um meio sorriso, a me sentir a pessoa mais feliz, só por estar ali; 

Naquele pedacinho de sonho compartilhado, 

Desse sonho cultivado, num Amor que transcende até o Tempo...


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terça-feira, 24 de março de 2015

Da necessidade...

Abro o blog, ansioso, coisas me atravessam e preciso dize-las.
Mas nada saí, não escrevo, estaco. Observo a palidez do editor de texto, me forço a pensar algum tema, desisto.

Passam alguns dias, retorno ao blog, a expectativa é enorme, as coisas parecem tão gritantes, mas não aparecem. E os dedos deslizam pelo teclado, procurando, assuntos, palavras, começos-meios-fins.
Tento me explicar, não consigo. Forço a escrita, pouca coisa de bom saí desses momentos.

É quase sempre , num lapso, num instante, que é preciso escreve-los.
Não penso, não há nada em mim mais...

Me torno essa escrita parida de mundo.

Fora de todos os tempos que conheço,

A escrita me encontra, antes que eu consiga alcança-la...


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segunda-feira, 23 de março de 2015

Nostalgias...

Retorno aos textos, muito do que digo de mim hoje, foi o que já disse antes.
Nada de novo sobre o Sol? Não sei. Por que diabos me acompanha esse Eterno Retorno? Por que diabos eu o acompanho?

Por que esse retorno aos textos e memorias, aos momentos e historias?

Na fala, a narrativa é outra, diferente da que viveu, na escrita a leitura é diferente, de quem um dia escreveu. Sou e serei um traidor de mim mesmo sempre: Nenhuma palavra me fixa, nenhuma leitura me prende, facilmente me esqueço dos meus por ques e das motivações das minhas palavras. D'outras até lembro, mas já não vejo da mesma forma - e não tenho nenhum problema com isso, acho divertido, parte do que há de mais magico no mundo,  a mudança.

Não me lembro bem quem era quando de uma certa forma escrevi algo, nem me lembro o que me atravessava no momento, sei que no reencontro, encontro outros sentidos, talvez nem tão iguais, talvez nem tão diferentes, dos de outrora.

E sei que o modo como eu escuto, as vezes minhas proprias palavras, não é nem perto do que um dia foi. Não porque se ampliou, não porque hoje eu escuto melhor que antes... é simplesmente uma questão de foco, as cores que antes capturavam meus olhos, não sãos as mesmas cores que o capturam hoje, nem são os sons que ouvia e me encantavam, os mesmos que me encantam hoje...

Não é que não há nada para dizer...

Só estou nesse silêncio a meio termo, de reconhecer o hoje pelo que um dia eu não era.


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segunda-feira, 16 de março de 2015

Aprendizado do Limite...

No caminho escolhido,

Eu aprendi a me esquecer de mim,

E um dia, meu corpo decidiu lembrar.

E meu corpo, que não confia em mim,

Me derruba, pra me recordar;

O que acostumei

Esquecer.


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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Escorrer a loucura...

Tenho feito muitas orações ultimamente.
Pedidos, feitos às escuras num quarto, ou em algum canto de minha mente.
Peço, silenciosamente, que toda minha raiva se torne tristeza,
Que toda culpa, vergonha, que toda sensação de desamparo, se torne tristeza
Porque é mais fácil lidar com a tristeza...

E que essa tristeza, que também é todas essas outras coisas, possa escorrer de mim.
Se essa tristeza precisa vir ao mundo de alguma forma,
Que seja na forma de gota, nas lagrimas de um chorar silencioso.
(Que são, nesse momento, o meu modo de gritar)

Nessa minha tentativa, um tanto perdida, muitas vezes frustrada.

De escorrer a Loucura.


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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Longa-escrita

Como eu gostaria, algo entre o caderno e a tela de um editor de textos. Poder riscar no caderno, escrever na ponta da caneta sempre me dá uma ótima sensação, e as palavras fluem e as longas histórias que gostaria de contar se esboçam ali naquelas linhas. Mas , com frequência, pelo quantidade, e pelo cansaço, a letra se deforma, as palavras se confundem, as ideias se esmaecem, me perco no meu próprio oceano de palavras. Não sei do que disse, nem do que vou dizer, não há como localizar no texto e reler, com frequência, me faz recomeçar. A longa escrita tanto desejada, os contos, as narrativas, as histórias, são recontadas mil vezes, mas nunca terminadas, tampouco publicadas. Ah! Como eu queria algo, entre o papel branco do editor de textos e o caderno aberto sobre a mesa...


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Sobre a sede...

Com frequência, nosso esforço de nos auto-afirmar,
É também um esforço de saciar a sede
De afeto que nos aflige;


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