quinta-feira, 16 de abril de 2015

escorrer...

Caem, pelas pontas, Às metades,
Quase sempre, mais ou menos, parciais...

Escorrem pelas frestas, das cortinas ou janelas, entre os dedos das mãos,
De cada fibra, forma , cor ou calma.

Não grito, me gritam, se calam, silencio.

Nada feito, tudo passa, feito de rio, de riso

Desfeita de linhas, desfeita de retas, de regras;

Desalinhos do passado, desatinos da alma, descontínuos da mente, mentiras enlatadas;

À procura de esquecimentos ou em busca de lembranças.

Dizer sem esforço, ainda que, não raro, doloroso.

Querer dizer. Poder dizer... ou Só dizer...

Dizer...

e só.


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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Com amor...

Rimos, andamos, conversamos, mãos se encontram e se soltam,
Seguro teu braço ou você ao meu. Você me puxa, me leva adiante;
Sutilmente o dia passa, num tempo fora do tempo.

Alguns silêncios cheios de palavras, alguns cheios de silêncios;
Muitos olhares longos, alguns sorrisos furtivos.

Muitas palavras ditas, alguns causos, trivialidades, curiosidades.
Pequenas historietas de nós...

E nisso, em tudo isso, em cada pedacinho,

"Amo você..."


(Até que para o começo de nossa dança... começamos bem, não?)


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sábado, 4 de abril de 2015

Levanto-me antes do despertador;
Quero evitar os riscos do atraso,

A todo momento, meu coração me traí, descompassado.
Fico a soltar olhares tortos para o relogio...

Quero sair logo...


[mas...]



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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Diz muito...

Do medo que escrevo, ou das ansiedades.
Se é do mundo ou das cores, se são dos sons, das viagens ou do mar.
Em qualquer pequena homenagem ou causo contado.

De tudo que ouço , e vejo, de todas as histórias contadas;

Daquilo que calo, me perco, silencio.

Não há nada que eu diga,

Que eu não esteja aprendendo.



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quarta-feira, 1 de abril de 2015

"Diz mais..."

Não é um pedido para que se explique,

Não é que eu não tenha entendido,
Embora sempre exista essa possibilidade

É só esse gosto de te ouvir, que me seduz
Me chama a pele, que pede

"Diz mais"

(mas só enquanto desejar dizer)




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sábado, 28 de março de 2015

Das vigílias...

Tem noites que se estendem assim, num silêncio de se afogar - e eu me perco. Entre musicas velhas e textos antigos, procurando interlocutores para uma conversa vazia de meio de madrugada. Procuro repetidas vezes por alguém pra dizer, daí das coisas que nãos são tão vazias assim, e nada. Repito, quatro, cinco, seis vezes a mesma música. Não sei o que fazer, em meu peito tem uma ancora que me prende, o que posso fazer, se não escrever? Esperar?

Eu já espero e nem percebo,  ou percebo e finjo que não sei. Bobagem, era só dormir, deixar o outro dia chegar, mas me acompanha a sensação clássica da insonia: A sensação de que o dia está incompleto. E deitar a cabeça no travesseiro dum dia incompleto é de uma inquietude terrível. Então eu me gasto, desgasto até que por exaustão caio...

Não há bons raciocínios, provavelmente se empobrecem também minhas palavras; Uma coisa sem graça, uma palavra perdida, uma noite em claro. Um troço que incomoda, âncora feita de medos e anseios;


Mas aguardo.

                                                                                      [Num esforço repentino - escrevo - admito: esse pedido de ajuda que eu guardei numa garrafa e lancei ao mar.]




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sexta-feira, 27 de março de 2015

Sonhos de Helena...

E eu via, você a trançar as madeixas negras dos cabelos de Helena;
Ambas de pés descalços no quintal, um som de água corrente muito perto;
Você cantarolava aos pés do ouvido de Helena, me provocando, porque sabia que adoraria te ouvir cantando e ela, audivelmente, te acompanhava. 

Eu observava, recostado numa coluna de madeira, com um meio sorriso, a me sentir a pessoa mais feliz, só por estar ali; 

Naquele pedacinho de sonho compartilhado, 

Desse sonho cultivado, num Amor que transcende até o Tempo...


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