[Me perco, vou parar num bairro onde não conheço. Ao longe, ouço a briga de um casal, coisas arremessadas e gritos; O motorista e a cobradora do ônibus, me indicam gentilmente qual ônibus pegar pra voltar pra barão, estão insatisfeitos, porque andam cobrando-lhes passar sempre no horário - com algum infeliz que fica parado em algum ponto específico, marcando o horário que o ônibus passa... e o comentário vem claro: "é por isso que ninguém gosta de trabalhar aqui, manda vir com a gente fazer o que a gente tem que fazer, passar pelo que a gente passa". De volta ao ônibus correto, paramos num sinal, onde percebo pessoas que dormem ao relento, no chão de uma praça... ouço, sem vontade, o "jornal do Senado", numa espécie de programa de rádio que toca em todas as estações: 'a voz do Brasil', tal como na ditadura... inclusive... a trilha sonora não me parece ter mudado... Um senador fala de lideranças... e de que a "rua pode trazer a indignação" mas são as "lideranças que fazem"... O sinal abre... e aos poucos aquelas pessoas ali deitadas somem do meu campo de visão... O senador... continua falando...
"as ruas trazem a conformidade e a desconformidade"... e o onibus continua...
Chego em casa com a lembrança curiosa de que se por acaso minha passagem custasse 30 centavos a mais... eu estaria numa encrenca, nao muito grande... mas em alguma. Me lembro de tudo que vi... e sento pra escrever... e lembro da frase, de São Paulo, escrita em vermelho sobre o fundo preto:
"Não é só por 20 centavos..."]
E a frase continua a ecoar...
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
sábado, 27 de julho de 2013
De perto... de longe...
Perto da gente...
Gente que passa e que chega.
Uns que foram embora sem se despedir,
outros que viraram silêncio,
De uns que fui embora,
e d'Outros que fui silêncio,
Olho com olhos curiosos...
Para os que foram se me avisar...
Mas de certa forma os entendo, nas minhas idas.
(Só não deixa de lado minhas saudades)
Palavras ressoam...
(Estar um tempo junto, pra depois não...)
Como nos tornamos esse ir e vir,
Encontro e despedida.
(Reencontro? As vezes, quem sabe...)
De perto, me lembro
De longe;
Há tanto tempo, tão inesperado
Quem foi, e quem chega.
.
domingo, 21 de julho de 2013
Opostos...
Escuridão e luz, são opostos?
Fogo e água? Ar e terra?
Amar pode ser odiar,
E ressentimento, saudade, falta, carência...
Só pode se encontra quem um dia esteve perdido.
E só se mata a sede de quem a tem...
A morte é a ausência da vida?
Onde estão essas fronteiras, senão nos olhos que as enxergam?
No final, talvez.. a Luz e a escuridão, nunca se viram... nem se falaram.
Se tornaram inimigas por nossas palavras... mais do que nas suas diferenças, tão parecidas..
Os opostos, muitas vezes são parecidos.
E em algumas vezes, semelhantes...
Ao ponto de me perguntar..
"Existem mesmo esses opostos?"
.
Fogo e água? Ar e terra?
Amar pode ser odiar,
E ressentimento, saudade, falta, carência...
Só pode se encontra quem um dia esteve perdido.
E só se mata a sede de quem a tem...
A morte é a ausência da vida?
Onde estão essas fronteiras, senão nos olhos que as enxergam?
No final, talvez.. a Luz e a escuridão, nunca se viram... nem se falaram.
Se tornaram inimigas por nossas palavras... mais do que nas suas diferenças, tão parecidas..
Os opostos, muitas vezes são parecidos.
E em algumas vezes, semelhantes...
Ao ponto de me perguntar..
"Existem mesmo esses opostos?"
.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
dia
(...) fecha a porta da casa, deixando assim todos os barulhos do mundo pra fora.
senta-se apoiando as costas na porta, só pra ter certeza de que nenhum barulho
tentará passar.
E assim fica, por algum tempo... (quanto tempo mesmo?)
(...)se levanta, meio sem jeito, o corpo inteiro doí. Mas outras coisas conseguem doer ainda mais.
tira o calçado com desleixo e deixa os pés sentir o frio do chão de pedra.
Pega o telefone... disca uma, duas, três vezes.. sem resposta,
ou sem resposta que ouvisse...
Deixa o telefone fora do gancho... e saí.
Ali no quintal, esse pedaço de refugio a céu aberto, a Lua cheia e as estrelas contemplam o mundo à distancia. O vento frio arrepia-lhe a pele, recostada na porta de metal, observa a grama, meio umida, imaginando que tipo de bichinhos andariam por ali àquela hora... e quais seriam , afinal, suas preocupações.
(teriam eles, essas preocupações?)
Ela se levanta e saí, olha pro telefone fora do gancho. Fica ali, olhando...
[saí... entra no quarto e fecha a porta.
até amanhã]
.
senta-se apoiando as costas na porta, só pra ter certeza de que nenhum barulho
tentará passar.
E assim fica, por algum tempo... (quanto tempo mesmo?)
(...)se levanta, meio sem jeito, o corpo inteiro doí. Mas outras coisas conseguem doer ainda mais.
tira o calçado com desleixo e deixa os pés sentir o frio do chão de pedra.
Pega o telefone... disca uma, duas, três vezes.. sem resposta,
ou sem resposta que ouvisse...
Deixa o telefone fora do gancho... e saí.
Ali no quintal, esse pedaço de refugio a céu aberto, a Lua cheia e as estrelas contemplam o mundo à distancia. O vento frio arrepia-lhe a pele, recostada na porta de metal, observa a grama, meio umida, imaginando que tipo de bichinhos andariam por ali àquela hora... e quais seriam , afinal, suas preocupações.
(teriam eles, essas preocupações?)
Ela se levanta e saí, olha pro telefone fora do gancho. Fica ali, olhando...
[saí... entra no quarto e fecha a porta.
até amanhã]
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domingo, 16 de junho de 2013
uma carta para o inverno.
Venha frio e cheio de sabores.
Quebra o vento em estilhaços de sereno.
Sopra sempre, novos cheiros de momento.
E canta distante, sem som, sem voz...
Junta as mãos, a se esfregar e a soprar pra se aquecer...
Aproxima os abraços, estreita laços, para fugir dos deus dedos finos...
Dos seus filhos gelados, que passam correndo por nós a todo momento...
Me desperta com a claridade alva da neblina,
A minha preguiça de sair da cama,
Junte todos os travesseiros e cobertas,
e alguns amigos também...
Venha só pra que eu possa ter um pretexto qualquer,
para mais abraços inesperados ou um chocolate quente,
Ficar escondido embaixo das cobertas, dizer umas palavras a mais.
E vá... não deixe de trazer seu manto de brumas,
recorte uns pedaços e deixe para a próxima que te seguir.
E abre espaço para o que possa florir.
E retorne...
ao ciclo,
ao lar.
.
Quebra o vento em estilhaços de sereno.
Sopra sempre, novos cheiros de momento.
E canta distante, sem som, sem voz...
Junta as mãos, a se esfregar e a soprar pra se aquecer...
Aproxima os abraços, estreita laços, para fugir dos deus dedos finos...
Dos seus filhos gelados, que passam correndo por nós a todo momento...
Me desperta com a claridade alva da neblina,
A minha preguiça de sair da cama,
Junte todos os travesseiros e cobertas,
e alguns amigos também...
Venha só pra que eu possa ter um pretexto qualquer,
para mais abraços inesperados ou um chocolate quente,
Ficar escondido embaixo das cobertas, dizer umas palavras a mais.
E vá... não deixe de trazer seu manto de brumas,
recorte uns pedaços e deixe para a próxima que te seguir.
E abre espaço para o que possa florir.
E retorne...
ao ciclo,
ao lar.
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De passagem...
"Não lembrar é diferente de esquecer"
Quase não lembra, não necessariamente esqueceu, mas pode guardar, com cuidado, em algum lugar.
Quem não esquece, não dorme, não descansa... Não pode "se lembrar" porque não aprendeu a esquecer.
E há certas lutas que só se "vence" , perdendo. Deixando estar, largando tudo, seguindo adiante, abandonando as bagagens ao lado da estrada de ferro, seguindo a pé, em uma sem-direção qualquer.
Virando a mesa, chutando o balde, perdendo a conta, as estribeiras, a compostura...
Sem explicações ou respostas,
Sem perguntas...
Silêncio dos tempos que já não são.
Pra ficar sem palavras, com o que há adiante...
Não ser. Só estar...
.
Quase não lembra, não necessariamente esqueceu, mas pode guardar, com cuidado, em algum lugar.
Quem não esquece, não dorme, não descansa... Não pode "se lembrar" porque não aprendeu a esquecer.
E há certas lutas que só se "vence" , perdendo. Deixando estar, largando tudo, seguindo adiante, abandonando as bagagens ao lado da estrada de ferro, seguindo a pé, em uma sem-direção qualquer.
Virando a mesa, chutando o balde, perdendo a conta, as estribeiras, a compostura...
Sem explicações ou respostas,
Sem perguntas...
Silêncio dos tempos que já não são.
Pra ficar sem palavras, com o que há adiante...
Não ser. Só estar...
.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Ilusão do desapego...
"Ah, é melhor não se apegar, a gente só se machuca."
Bobagem...
No fim das contas, a gente precisa dos outros.
Ninguém nasce sozinho, e para as mais básicas coisas
precisamos de alguém. Sozinhos, morremos...
(de fato, de falta ou de afeto)
O outro ar, o outro calor, o outro pessoa, o outro alimento, o outro água...
Nos são indispensáveis cada um a seu modo.
E de cada um deles temos a chance
de nos permitir construir belos quadros da vida...
Precisamos tanto, mas tanto...
que ate precisamos,
que precisem da gente.
.
Bobagem...
No fim das contas, a gente precisa dos outros.
Ninguém nasce sozinho, e para as mais básicas coisas
precisamos de alguém. Sozinhos, morremos...
(de fato, de falta ou de afeto)
O outro ar, o outro calor, o outro pessoa, o outro alimento, o outro água...
Nos são indispensáveis cada um a seu modo.
E de cada um deles temos a chance
de nos permitir construir belos quadros da vida...
Precisamos tanto, mas tanto...
que ate precisamos,
que precisem da gente.
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