Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sobre a igualdade humana.

Eu não aprecio o marxismo, ou sou entusiasta do Comunismo porque são "lógico", porque está "provado" que o atual sistema em que se organiza a sociedade é desigual, injusto etcetera.
Todas essas reflexões, quando as penso em mim, me arremeto mais a meu incomodo com a condição do outro, meu incomodo de criança ao ver outras crianças vivendo embaixo de um viaduto em BH, imagem que tenho clara na mente até hoje, em resumo, antes de ser leitor de Marx, eu sou um profundo amante da humanidade, e da idéia de que somos iguais.
Creio que esse é um campo ao qual a esquerda me parece pouco acostumada, e vejo raras vezes em nossas discussões, terrivel pensar, mas muitas vezes nos falta pensar o humano.

A idéia básica da possibilidade de uma sociedade igualitária, precisa se fundar na percepção dos seres humanos como iguais, está mais ligado aos sentires, não aos pensares.

A identidade humana está no sentimento não na razão. As soluções "racionalizadas" estão aí. Racionalização essa ligada a um forte discurso de distancia, pensamos a diferença, mas somos incentivados a não senti-la, pela propagação de diversos discursos na sociedade que buscam construir essa diferença, que vão desde a consideração de que "quem é pobre é pobre porque quer", até o forte medo propagado sobre estes. Assim, criamos uma curiosa situação: capazes de belissimos discursos sobre a desigualdade, capazes de ligar pro criança esperança e doar um agasalho uma vez por ano, mas incapazes de permitirem-se sentir os mundos daqueles que estão em uma situação de desigualdade muito intensa. Ajudam, assim, restringido pela razão, e portanto limitados mais fortemente pelos discursos da sociedade.

Mas não existe argumentar no campo dos sentires do mundo, a única coisa que posso sugerir, é que tentar, antes de dar esmola a um mendigo, olha-lo, com os olhos a mesma altura, permitir que se esbarrem ali os universos que os compõem, e depois tentar responder se: existe mesmo, essa profunda diferença entre vocês dois, legitimada na profunda desigualdade social que os separa?

As forças que precisamos para mudar as coisas, não estão contidas na lógica de um pensamento, elas estão nos corações das pessoas, na nossa capacidade de nos reconhecermos como iguais, e que essa diferença que nos separa e divide é absurda.

É no sentimento de que somos iguais, que o mundo em que estamos se torna insuportavel, que se torna insuportavel não fazer nada para muda-lo, e para encerrar relembro, ao Che...

"Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros."





.

sábado, 4 de setembro de 2010

É possivel perder-se de si?

Até hoje, eu acredito que sim.
Apresentados ao mundo, somos educados na cultura a aprender "nosso lugar" e a nele nos sentarmos e só irmos aonde nos é permitido ir. Na minha opinião, chegamos a um nível de controle tão severo onde nosso 'eu' é totalizado pelo que aqui chamo de cultura. Uma cultura totalitária, ela promove a dominação total do ser, o insere em centenas de padrões e convenções que se seguirmos um mínimo deles nos desfaremos em tantas milhões de partes que, primeiro: nos discernir será profundamente díficil, segundo, não faço idéia daquilo que significará o "eu".
Como um manequim, a única coisa diferente entre nós, nesse extremo da dominação, seria a roupa com a qual nos vestem (nem nos vestimos mais), e no fundo no fundo, manequins ocos, desprovidos de um "eu" que tenha cores próprias, que se afirme, desprovido de "vida vivivel".

Algumas horas eu temo que caminhemos para isso. Mas essa distopia só viria a tona se cedesse a nossa resistência. Aquilo que penso por "eu" é algo que resiste, resiste a adaptar-se e a caber no mundo que lhe é imposto, resiste por meio da sensação - de maneiras tão variadas, dentro da história, e da experiência de cada indivíduo, mas felizmente, resiste.

Bom, quem me conhece, vai perceber que pra mim, faz um danado de um sentido pensar assim.
Não me garanto razão, apenas penso sobre a idéia.

Nesse jogo de forças entre o "eu" do individuo e o "mundo", criamos nossos meios de nos mantermos nós mesmos, e ainda, estarmos no mundo. Mas a sociedade de controle está longe de ser um local propício a expressão das coisas que mais nos dizem, própricio a plenitude do ser.
Assim, resistir é uma dimensão necessária, a adatpação uma porta para um terrivel tormento, que é a possibilidade de não ver sentido pela anestesia dos sentidos do mundo, que existem em cada um de nós.

Questionar e mudar essa cultura do medo, essa cultura da dominação, se faz necessário.
Rejeitar o controle totalizante do ser.
E a energia dessas tantas multilações que sofremos, como a força que precisamos para mudar, tudo.


Desacreditar o poder. Desacreditar o controle.
Nada existe por sí só, fazemos o mundo.


Revolução do ser. Revolução do mundo. Mundos.



.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

escritos sobre histórias, memórias e identidades.

(Quando eu descobrir como posta o video aqui, eu posto, no mais, boa leitura)


Post baseado no trailer do Documentário: Era das Utopias

"somos aquilo que lembramos, agora, além disso, costumo acrescentar que também somos aquilo que escolhemos esquecer."

"We are told what we are to think about, and then we are told that these are our memories. In fact, we are taught to remember"
(Nos dizem o que devemos pensar, e então nos dizem que estas são nossas memórias. De fato, somos ensinados a lembrar...)

As duas frases da abertura desse documentário me chamaram atenção.
A História dos fatos não existe "por si", historiadores a buscam, um trabalho tremendo é feito nesse sentido, mas estamos, inexoravelmente, separados do nosso passado. Outro ponto é a infinitude do passado, como exemplifica Valery em seu livro Variéte que se escolhermos um ano especifico, como 1789, dá pra pensar a quantidade de informação que existe nesse ano específico?
Quantas histórias possiveis? Existe "A História"? De fato, esses acontecimentos todos do ano de 1789 aconteceram, mas tornar isso em totalidade conhecimento é possivel? Só pra esse ano? Para qualquer ano? Todos?
Se pegarmos só pelo viez mais "senso-comum" da história, que é o político, militar e economico, poderemos dizer sim, muito sobre a efervescência política na Europa ocidental na épocao, mas e a Asia, o Oriente Médio, que poderiamos dizer sobre o "Novo Mundo", ou o Japão? Que poderiamos dizer sobre a Oceania e a Africa? Quantos tratados, correspondências, quantas movimentações de cunho político/militar ou economico podemos registrar e o que poderemos registrar de e sobre cada uma? Esse vortex de imagens e idéias é apenas para jogar a impressão de algo realmente vasto, Infinito no sentido de interminavel, que torna o trabalho do historiador, Infinito, no sentido de incompleto (e no sentido de que "nunca nos faltará assunto", como bem diria Prof. Chalhoub).
As histórias são feitas de escolhas. As memórias são construídas a partir das escolhas.
"Somos ensinados a lembrar". Quem nos ensinou a lembrar? O que?
Quem nos ensina a memória na nossa sociedade? Quais são os elementos dessa educação?
Como nos pensamos a partir daquilo que nos ensinaram que é a nossa memória?
Como se constroí a identidade do individuo a partir da relação que ele estabelece entre sua memória pessoal e sua memória histórica?
Não diz a memória, respeito ao futuro?

Nossas instituições escolares nos ensinam a construir um tipo de memória. A memória nos vem através das letras de canções, nos romances e nos livros de história escritos, nas novelas, nas conversas cotidianas, enfim, produzimos memória nas nossas vidas.
As memórias social e individual não se dissociam, assim essa memória do que foi a humanidade, da "nossa história", diz respeito a "quem somos" e portanto a cada um de nós. Pensamos e mesmo sem perceber produzimos uma memória social, não só do "tempo presente", do "tempo que somos", mas do nosso passado, de como nos relacionamos com aquilo que construiram que somos enquanto gênero humano, ou seja de nossa relação com o "conjunto social" que chamamos de "Humanidade."
Assim fiamos uma teia de relações através dos discursos produzidos pelos infintezimais pontos que nela existem, nós, os indivíduos, despojados de qualquer agrupamento que não o das moléculas e átomos de cada um (quiçá!).
E se a memória diz respeito ao futuro é porque , como você pensa o passado diz respeito ao presente e não ao passado em si (afinal eles já passado, nós não), reflete assim as nossa questões sobre "o mundo e as coisas", e sobre "nós", sobre nossa indivudualidade e sua inserção no mundo. Assim, elas acabam influenciando nas escolhas que tomamos, nas práticas que estabelecemos nas nossas vidas, como nos relacionamos inclusive com a forma como nos ensinaram a nos relacionar, a pensar e construir a memória.
A memória também é anterior a nós, produzimos a nossa já sendo "ensinados a lembrar",
nos relacionamos com o mundo mesmo antes de pensar como pensamos, somos "apresentados ao mundo", e a memória na qual somos educados nos ensina sobre ele, a memória dos pontos de encontro que esbarramos: Nossos livros, professores, televisões, musicas, principalmente, as pessoas a nossa volta. Nossa experiência no mundo e as relações que estabelecemos com a memória "apresentada", é que nos provoca a produzir nossa própria memória - o que escolhemos lembrar e esquecer - como indivíduo e sociedade (inclusive indissociaveis aqui).
Nesse ponto é bem díficil dizer que escolhemos. E até que ponto, o fato é que "mais ou menos" escolhendo e sendo escolhimos, criamos. E criamos, modificamos.
Nessa teia, de infinitezimais pontos, é onde se produz a sociedade. E a memória social serve em grande medida de "entendimento-justificativa" para o que existe no tempo presente - seja para afirmar algo como "legítimo", seja para sua "deslegitimação".

A fragmentalidade da História nos lançou sobre um mar de dúvidas, mas boa parte das memórias produzidas que me esbarram , vejo, carregam em si o tom do "discurso de verdade".
Por que ainda nos apegamos a essa disputa? Pra quê?
Em um campo onde quase tudo pode ser justificado, a verdade não passe de ser reduzir a história a um meio para se atingir a verdade desejada, verdade-querida. Logo, quase "qualquer verdade" é possivel. E fazemos isso exaustivamente, academicos ou não, insistimos na busca de respostas e de justificações das nossas teorias favoritas. E conseguimos claro, todos. E disputamos nossas verdades a tapas, quando não nas guerras.


"Nossas convicções são secretamente assassinas." Paul Valery





.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"Democracia" no Brasil... [1]

Sobre o primeiro debate, que ocorreu na Band no dia 5 de agosto de 2010.
Inclusive, a poucos minutos encerrado.

Há um desnivel que me incomoda muito na política brasileira. Um desnivel comentado pelo candidato Plínio a respeito da própria forma como ele e vários outros canditados, lembrando que temos 9 canditados a presidencia da republica, foram tornados invisiveis aos olhos do povo brasileiro pela postura tomada pela midia brasileira em geral.
O convite a Plínio pode ser considerado louvavel à emissora BAND, mas é preciso ponderar: É por lei que todo candidato que possua deputado federal seja chamado ao debate. A questão é , porque os outros foram chamados? Por que a mídia se recusa a dar face a estes canditados, mesmo o próprio Plínio?
Aí começa a se delinear os meandros desse desnivel. Que se aprofunda nas perguntas: A produção do canal de televisão pergunta, os candidatos se fazem perguntas, os jornalistas se fazem perguntas.
Mas pera aí, e as pessoas? Quando nós vamos ter oportunidade de fazer as nossas perguntas?
Que poder é esse que tem os canais de televisão? Por que?

Falo no sentido de que são organizações privadas, dirigidas , consequentemente por privados, como é que se pode deixar a responsabilidade de um serviço social de comunicação, nas mãos dos interesses desses grupos? Tudo bem, pode-se argumentar pelo lado de que é permitido que existam redes privadas. Então que se regulamente pela lei, pela constituição, até onde elas podem ir, e como devem operar - não é uma questão de liberdade ou não de imprensa, mas sim de que os interesses do povo ficam submetidos ao filtro midiático terrivel que sofre nosso país.
Essas eleições demonstram claramente o absurdo a que isso chegou.

E vamos a outro detalhe que aprofunda ainda mais o desnivel: As campanhas dos partidos são financiadas por grupos privados. Outro absurdo: Impede absolutamente a equidade entre os canditados, é assim na política em geral brasileira, o cara acaba tendo que gastar do próprio bolso com a publicidade para se lançar canditado estadual,ou federal. Como assim? Por que não uma regulamentação do que será feito, uma especie de "roteiro eleitoral", e do quanto será gasto? Há um filtro absolutamente ligado ao dinheiro na nossa política, e em que medida isso é democrático? Por que não um controle sobre a quantidade de orçamento investido em campanhas e uma limitação de equidade entre todos os canditados?

Não menos importante é a posição dos nossos políticos em serviço não? Julgados por uma lei diferente, inclusive julgamento que é feito pelos seus próprios pares nos nossos tribunais. Com salarios diferenciados, como se político fosse uma profissão e não um serviço ao povo, ao Estado que se pretende construir, colocando eles em posição social superior aos demais por simplesmente "serem", o que torna os políticos no país uma classe, ou pior, uma casta, própria, de interesses próprios. São eleitos nestas condições para defenderem uma constituição que diz que somos supostamente iguais.

A postura do "politicamente correto" foi terrivel neste debate. Nem tudo são flores, falar de uma perspectiva sempre 'bonitinha" do nosso país é negar as duras contradições nas quais este se insere. Me parece um tanto apologia à progressão social E o foda é ver que isso é feito de uma forma descaradamente eleitoreira.
Eu duvido sim, da coerencia política de quem tem esse tipo de postura. Eu não acredito na sinceridade de muitos que ali estão, e acredito que as formas que nossa política tomou ajudam demais para isso.

Escrevo aqui porque acredito que o poder está verdadeiramente em nós. Que pertencemos ao povo. E que nós devemos sempre nos manifestar, que devemos nos sentir parte dessa política, porque a maioria é a instancia absoluta do poder.

O povo precisa acreditar mais no povo.
As pessoas precisam acreditar mais nas pessoas.

E ambas são exatamente a mesma coisa.


Que Brasil queremos?


.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Manifesto por uma política não-combativa.

Quando penso na atual política estudantil - "de luta" -, gostaria poder reinvindicar uma política não-combativa.
Quero me apropriar dos termos nas dimensões que tomaram em nosso instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Hoje, faz parte ouvir o discurso de que precisamos de um "movimento estudantil combativo", esse movimento é caracterizado pela sua postura de "combate", muitas vezes um "combate contra", e "a luta" se torna uma dimensão tão mais exaltada que a de estudande que as vezes temos os "lutadores" do movimento estudantil ao invez dos estudantes. Mas afinal, onde estão os estudantes mesmo?
As ausências são muitas, mais do que as presenças, desses estudantes, no espaço de nossa Assembléia , que na mesma linha do discurso "de luta", se tornou um "Coliseu", espaço para "degladiações" entre os nossos "lutadores" do "movimento estudantil", o esvaziamento se repete na grande maioria dos espaços, como a reunião de CACH e alguns espaços de discussão do IFCH. Nesse sentido, chamar de "lutadores" pode ser realmente coerente.
Mas pensando sobre os estudantes chama a atenção primeiramente a dimensão da diversidade que existe em "os estudantes". O que há de homogêneo quando passamos a pensar assim, nesse termo? Se restringirmos a nos pensar sobre "os estudantes do IFCH", a única coisa realmente comum a estes será o vinculo com a instituição Unicamp (e olhe lá).
Assim os "estudantes" existem de toda diversidade possivel, simplesmente, à dimensão do ser humano, dessa forma como é possivel se construir política, a partir do combate?
O nosso atual modelo "de combate", criou lados, e oposições, tornou sim, a construção do espaço político espaço de "luta" entre pontos de vista diferentes, ainda com um agravante, a atual gestão do CACH, opera de tal forma que qualquer outro ponto de vista que não o deles, está numa esfera de oposição a eles.
Assim se extermina o dialogo, e sua possibilidade, há uma luta que passa no campo do tom de voz e da retórica, quase tudo que se diz se pode fazer acreditar, a história é invocada em tom de verdade para dar autoridade ao discurso, e se faz verdade histórica aquilo que se quer fazer, assim raras vezes a argumentação é aprofundada, as repetições são interminaveis, e a mesma gestão do CACH vem preparada, raramente disposta a ser convencida, mas armada e muito bem armada: para a luta e para o convencimento - seja na forma como dispõe as pautas que lhe interessam, seja na forma como seus "lutadores" se organizam para "lutar" no "Coliseu-Assembléia".
Dentro dessa malha de forças, como suportar o espaço da Assembléia? Como pensar em construção coletiva, ou espaço democrático? Como sequer se pensar em democracia?
Essa recusa veemente de se ver e lidar com a diversidade, a partir de se apropriarem de um ponto de vista, recusar e se opor a todo discurso diferente deste, mesmo que minimamente diferente. Esse tipo de concepção que se liga a uma idéia de "consciência política", que se de um lado há os "conscientes" politicamente, doutro existem os "alienados" que precisam ser "esclarecidos" - normalemente - pela "vanguarda". Esse "vanguardismo de luta", essa concepção e essa forma de concepção da política, do espaço e das pessoas, colocando-as em critérios morais de avaliação de sua consciência política, são hoje nosso maior impedimento para a construção do que quer que seja, especialmente para nossa organização, em nivel de instituto, como "estudantes do IFCH".
Se há de se pensar em uma política "de luta" assim, então eu proponho mesmo um desarmamento da política, uma política de não-combativa. Proponho que aprendamos, fundamentalmente, a nos ouvir, e a entedermos "nós", a partir dos "outros" todos que "nós" somos. Que o espaço de uma Assembléia seja um espaço de construção compartilhada, que reconheçe a existencia das nossas diferenças, mas que procura congregar a nossa igualdade a partir do dialogo, e assim construirmos nossa identidade. Essa identidade "os estudandes do IFCH", será efetiva, na experiência do compartihar desses espaços, e assim, de nos reconhecermos, mais do que no nivel do pensamento, mas nos sentirmos, como iguais, como conjunto.
Como "estudantes do IFCH".

E daí, de se pensar em muito mais.




.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sobre eu e a Política...

É provavel que muitos se perguntem, ao ver toda minha irritação e minhas criticas porque eu continuo a me envolver com o que a Isa chama de "Política cinza"...
"Política cinza" pelo seu anacronismo e falta de senso critico, pelo esquecimento das pessoas e sua falta de coerência. A política "macro", dentro do CA das "Ciências Humanas" ou o próprio Diretório Central dos Estudantes, estão saturados dessas macras de um tipo de política que previlegia os cegos e os intolerantes, que destroi os espaços de debate político e consequentemente atrapalham as construções a longo prazo e uma nova possibilidade de Política.
Eu não sei definir o que é Política, eu sei que é muito importante para mim, e eu reconheço nas minhas relações e o que eu defendo nos meus discursos (num sentido bem amplo), também a reconheço nesses espaços desgastados do "movimento estudantil", de CAs , DCEs e Grêmios.
E não só por reconhecer mas por perceber que dentro das malhas intrincadas da Política que hoje permeia o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, existe um espaço interessante para potencilizar o alcance que tem essa Política cotidiana, construída da nossa postura em relação ao mundo e as coisas.

A questão é que eu me sinto bem quando enfrento as dificuldades inerentes ao se colocar em público, mesmo quando a atmosfera é desfavoravel. É porque acho interessante e coerente constestar nos espaços que "Política cinza"se apropriou, trata-se de publicizar que outras vozes , que defendem outras idéias estão aparecendo, e dar a oportunidade de que as pessoas se indentifiquem e discussões surjam.

Trata-se de ir contra a velha idéia de que a Política é feita pelos esclarecidos.
Acreditando que na verdade não existem os mais esclarecidos, ou conscientes, mas "consciências diferentes".

E assim se o espaço político público é o espaço onde coletivamente deveriamos resolver e nos acertar com nossas diferenças, o esvaziamento e esse uso "elitizado" dos espaços Políticos, não apenas do CA ou do DCE, mas de toda a nossa estrutura política brasileira, representam a nossa dificuldade daqueles que participam e se apartam, em lidar com as diferenças de pontos de vistas, de perceber as pluralidades das consciências e lidar com elas.


É por isso que eu compro com gosto a irritação e o desgaste que me trazem as discussões da "Política comum".





.

sábado, 6 de dezembro de 2008

O Capitalismo e a Crise...

Crise no sistema, crise financeria, desvalorização das bolsas, pacotes para empresas privadas, medidas do governo para salvar a economia, aumento dos preços, férias coletivas, demissões...
A grande maioria dos trabalhadores só têm uma idéia, provavelmente, dos últimos três termos que disse, uma pena eu diria, afinal, se entendessem, entederiam o cumulo do absurdo.
Começa com a grande diminuição do poder de compra da classe média norte americana, o frequente endividamento das familias, a hipotecagem das casas para salvarem-se das dívidas, depois disso o descompasso do aumento da inflação (que eleva as taxas e o custo de vida) com o aumento dos salários, leva 30% das familias americanas a contrairem dividas na hipoteca, o sistema começa a entrar em colapso: os bancos se vêm com um grande problema financeiro devido à inadimplência, para sanarem as dívidas vários moradores vendem suas casas, ou as "dão" para o banco como forma de reduzir a divida, porém com o grande número de imoveis que entra nessa situação o preço dos mesmos caem, bancarrota sequencial de bancos norteamericanos, outros setores financeiros obviamente começam a ser afetados.
A crise se agrava, atinge dimensão continental e agora mundial e o que vemos?
Competindo com os absurdos da crise, vêm os pacotes bilhonarios, vã tentativa de amenizar o problema da crise: A crise têm suas raízes entravadas na lógica capitalista, o acumulo de capital como objetivo, meio e fim do sistema, logo, o emboprecimento frequente de uma classe, o excesso de capital nas mãos de um grupo reduzido, nas mãos de uma classe.
A contenção real da crise dentro do sistema, se dá na "queima", "destruição" de capital, ou seja, destriuição de forças produtivas (empregos e seus trabalhadores) e produtos (frutos do trabalho), desestabiliza-se o mercado internacional e consequentemente o mercado interno da grande maioria (para não dizer todos) os países, fica exposta aí a fragilidade do sistema capitalista. Fragilidade ou lógica? 1929 ~ 1960 ~ 1980 ~ 1998 ~ 2008 São meras coincidências devido a algum problema externo, ou outra coisa? São anomalias? Ou ciclos?
É por isso que não acredito na "humanização do sistema capitalista".
Um sistema que ciclicamente leve a humanidade para uma situação de caos intenso, que ameaça inclusive a sobrevivência desta, que opera unicamente sobre a lógica da acumulação de bens, da supervalorização do individuo sobre a sociedade, da liberdade de uns em detrimento da liberdade da maioria, aliás, da própria liberdade submissa ao capital.
Essa crise ainda não tomou suas proporções mais terriveis, mas chega a nós a passos que a mídia não tem tanto interesse em divulga exceto como pequenas notas "insignificantes".
Mas na lógica capitalista, quem paga a conta da crise economica? Quem perde os empregos?
Observa-se: 15% do PIB da União Europeia utilizado para salvar monopólios financeiros, nos EUA as contas já chegam a 33% do PIB deste país e no Brasil, a Caixa Economia Federal têm aval governamental para comprar ações (em geral "títulos podres" de empresas falidas!) para salvar empresas quem muitas vezes nem nacionais são, sequer estatais, até mesmo a Petrobrás sentiu os duros efeitos da crises que aos poucos se agrava, nenhuma medida, nem sequer uma mera medida provisória, foi feita para proteger os empregos dos trabalhadores, seus interesses, sequer preservar o preço dos alimentos.
A quem nesse país, serve realmente o Governo, a quem serve, nesta lógica, o Governo da grande maioria de países?
Quem não acredita que essa crise seja um fruto desse sistema, por favor, prove.

Eu poderia escrever mais, muito mais a respeito, mas quero tentar reduzir um pouco o post, na esperança de que ele seja mais "livel" que o normal.

Enfim, vou me...

Até a proxima (que virá em breve),

Thiago

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A Esquerda Unida...

...Jamais será?
Uma charge do artista Carlos Latuff propõe uma critica que gostaria de analisar.
Afinal, não é mentira se pararmos para pensar bem em nossas posturas e não acho perder tempo reavalia-las e propor novos comportamentos.
Somos muito poucos para nos desunir: Além das inumeras perseguições que datam do surgimento dos socialistas utópicos, passamos, durante o século 20 uma dura batalha contra dois grandes oponentes - o Capitalismo e nossos vicios e transviamentos- quantos foram os comunistas que na verdade de nada possuiam, em um carater , uma moral, realmente preocupada em construir uma Sociedade mais humana, que se consternavam realmente com os problemas do mundo e se dedicavam a lutar contra eles? Quantos foram os que fizeram de seus países, aproveitando-se de regimes autoritários, um governo que lhes apetecia? Quão distante das massas não ser tornaram vários desses governos? E a sabotagem da URSS, o capitalismo de Estado controlado pelo Paritdo Comunista Chinês, os vários pseudo-comunistas em várias partes do mundo, que muito mais fizeram por sua ansia pessoal de poder, do que algo realmente pelo povo, pelo poder popular? Em quantos partidos nos fragmentamos, em quantas correntes nos dividimos? Quantas vezes caimos na ilegalidade e vimos nossos companheiros sendo perseguidos e mortos? Até mesmo a palavra Comunista, a palavra Comunismo, causa medo em muitas pessoas ainda, a grande maioria delas nem sequer faz idéia do que é uma sociedade Socialista e a construção do Comunismo, a maioria daqueles por quem lutamos não entende sequer que lutamos por eles, aliás a direita fez uma antipropaganda excelente contra nós, até hoje somos vistos como "terroristas", "violentos", "autoritários" entre outras coisas mais.

E as inumeras correntes que nos dividimos? Na raíz, não lutamos pela mesma coisa? As diversas "linhas" não levam a um mesmo final? E nosso apego excessivo, que frequentemente ocorre, a idolos do passado, nos fragmenta mais ainda e pequenas divergências se tornam motivos de rixas inacabeveis.
Quem sai perdendo com isso tudo, se não nós mesmos e a nossa luta?
Não podemos mais perder tempo criticando as correntes uns dos outros, aqueles que estão convictos do que querem devem lutar juntos!
Precisamos nos unir novamemente! Nós , os comunistas, independente da "linha", do "partido", do "ídolo", lutamos todos por uma única causa.
E bem sabemos: aqueles que não estão dispostos a travar uma luta séria, não conseguirão acompanhar os passos daqueles que realmente tem a intenção de lutar, de mudar as coisas...

Não podemos nos esquecer jamais dos principios que nos orientam.
As idéias que nos orientam surgiram do profundo sentimento de compaixão com os outros, com cada ser humano, com a vontade de construir um mundo para cada um de nós, seres humanos, então, não percamos de vista nosso humanismo, não percamos também de vista, nosso senso-critico, nossa capacidade de analisar a sociedade a fundo, seus pontos criticos coloca-los em cheque, e também , as idéias dos comunistas não são verdades absolutas, não são um fator histórico inevitavel, não é um destino, é uma possibilidade que queremos dar a humanidade, acreditar que aquilo que acreditamos é uma "verdade absoluta", além de muito arrogante, é terrivelmente "anti-marxista", deixemos então, que a humanidade escolha se querem ouvir a proposta que temos.
Por isso a importancia da união: derrotar aos falsos conceitos que nos apregoaram, propor que as pessoas conheçam aquilo que pensamos como é, sem impor nossas idéias, mas acima de tudo, fanzendo com que elas reflitam acerca da sociedade e busquem por sua própria vontade, por sua própria consciência, a construção de uma sociedade melhor e naturalmente e por "convicção construida" muitos irão se juntar a nossa causa.

Se Marx um dia disse: "Proletários do mundo uni-vos."
Agora está na hora de dizer: Comunistas, uni-vos.

A vitoria do Socialismo está ligado intrisecamente à vitória da Democracia,

Saudações Comunistas,

Thiago