Tive um sonho estranho onde confundi Alvo Dumbledore com Paulo Freire. Coincidência?
Até agora a forte impressão que das idéias dos dois: fortemente apoiadas no amor.
Até que não, fica aí a homenagem aos mestres. Haha
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sábado, 8 de janeiro de 2011
domingo, 21 de novembro de 2010
Des(sociados)
Coisas que recorrem a minha volta, uma certa ausência nas falas das pessoas a volta.
O crime , a política, a pobreza, pensados como problemas de matrizes morais - a falta de bondade, a falta de honestidade, a falta de perseverança no trabalho. O discurso mais senso comum, e infelizmente, uma das besteiras mais repetidas em nosso país.
Esses julgamentos são compreensíveis, pelo próprio motivo que me leva a critica-los: Faltam com a sociedade. Não pensam as relações do individuo com a cultura, com a sociedade, o isolam dela, esquecem das histórias, esquecem-se dos discursos e das construções - não raro, são fenomeno desse mesmo efeito.
Roubados de nossas Utopias, ao final da Guerra Fria, sobre os fantasmas dos horrores de duas guerras mundiais, crescidos ou envelhecidos sobre um discurso de "atomização social", da desvalorização da política nas ruas, do denegrir do sentido da palavra "Política", de sua subversão em algo simplesmente da "ossada do burocráta do Estado", e ainda algo onde a corrupção é quase como inerente, onde a palavra democracia se esvaziou de sentido, onde o foco no individuo continua subindo as alturas, aliás já foi tanto que já mal podemos ver a sociedade, já mal podemos ver a cultura - e assim a cultura que produzimos.
Sem Utopias , grandes sonhos sobre uma sociedade possivel, vivendo constantemente com medo. A mobilização social foi colocada no campo das coisas complicadas de lidar, ligadas a um século XX que ainda não passou, não o superamos. Tudo isso produziu uma força muito grande no sentido dos individuos a focarem exclusivamente em si mesmos, no pequeno micro-meio a sua volta.
Assim, "fazer a sua parte" e "dar se bem na vida" se tornaram quase que dois bordões inseparaveis da nossa educação - institucional e na cultura - sobre o mundo.
Palavras como "flexibilidade", "empreendorismo", "liderança", ganharam uma conotação puramente mercantil, e "Utopico" é um termo depreciativo para pessoas e idéias "fora do lugar".
O grande medo dos problemas insoluveis como a violência resulta na consolidação cada vez mais forte de que o "crime é um problema moral", do "sujeito vagabundo". Assim sem esperança numa solução "social" para o problema colocamos grades em nossas casas, enquanto assistimos atentamente a TV cada vez mais propensos a aceitar "quaisquer meios" para os fins da obtenção da segurança pública.
O projeto de vida das pessoas passou a ser construído sobre a forte pressão para ser fundamentalmente "autocentrado" - autopreservação e projeção em primeiro lugar - e é um grande esforço construir um projeto de vida, de mundo, baseado no amplo, com uma entrega mais profunda de si.
Não bastasse, a maioria de nós brasileiros, consegue criticar avidamente as nossas instituições políticas, os nossos políticos, a própria política, quer que isso tenha se tornado, mas cuja solução, a grande maioria das vezes repousa na "esperança do aparecimento de um político moral". O que pra mim também representa outro problema: na criação desse tipo quase mitologico do político "moral" estão os genes do próprio autoritarismo, e a demonstração de um profundo "desconhecer de si" por parte do brasileiro em se pensar como agente político, como ser social, ou em sociedade.
A importancia de pensar as coisas no tempo, inseridos em uma cultura e sociedade, é fundamental para termos a possibilidade de reconstituir a percepção do individuo como "ser", como cidadão, como atuante efetivo do Estado, como a própria Base do Estado.
Assim, reinvindico por uma vida, uma história e uma educação a favor da autonomia e da vida.
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O crime , a política, a pobreza, pensados como problemas de matrizes morais - a falta de bondade, a falta de honestidade, a falta de perseverança no trabalho. O discurso mais senso comum, e infelizmente, uma das besteiras mais repetidas em nosso país.
Esses julgamentos são compreensíveis, pelo próprio motivo que me leva a critica-los: Faltam com a sociedade. Não pensam as relações do individuo com a cultura, com a sociedade, o isolam dela, esquecem das histórias, esquecem-se dos discursos e das construções - não raro, são fenomeno desse mesmo efeito.
Roubados de nossas Utopias, ao final da Guerra Fria, sobre os fantasmas dos horrores de duas guerras mundiais, crescidos ou envelhecidos sobre um discurso de "atomização social", da desvalorização da política nas ruas, do denegrir do sentido da palavra "Política", de sua subversão em algo simplesmente da "ossada do burocráta do Estado", e ainda algo onde a corrupção é quase como inerente, onde a palavra democracia se esvaziou de sentido, onde o foco no individuo continua subindo as alturas, aliás já foi tanto que já mal podemos ver a sociedade, já mal podemos ver a cultura - e assim a cultura que produzimos.
Sem Utopias , grandes sonhos sobre uma sociedade possivel, vivendo constantemente com medo. A mobilização social foi colocada no campo das coisas complicadas de lidar, ligadas a um século XX que ainda não passou, não o superamos. Tudo isso produziu uma força muito grande no sentido dos individuos a focarem exclusivamente em si mesmos, no pequeno micro-meio a sua volta.
Assim, "fazer a sua parte" e "dar se bem na vida" se tornaram quase que dois bordões inseparaveis da nossa educação - institucional e na cultura - sobre o mundo.
Palavras como "flexibilidade", "empreendorismo", "liderança", ganharam uma conotação puramente mercantil, e "Utopico" é um termo depreciativo para pessoas e idéias "fora do lugar".
O grande medo dos problemas insoluveis como a violência resulta na consolidação cada vez mais forte de que o "crime é um problema moral", do "sujeito vagabundo". Assim sem esperança numa solução "social" para o problema colocamos grades em nossas casas, enquanto assistimos atentamente a TV cada vez mais propensos a aceitar "quaisquer meios" para os fins da obtenção da segurança pública.
O projeto de vida das pessoas passou a ser construído sobre a forte pressão para ser fundamentalmente "autocentrado" - autopreservação e projeção em primeiro lugar - e é um grande esforço construir um projeto de vida, de mundo, baseado no amplo, com uma entrega mais profunda de si.
Não bastasse, a maioria de nós brasileiros, consegue criticar avidamente as nossas instituições políticas, os nossos políticos, a própria política, quer que isso tenha se tornado, mas cuja solução, a grande maioria das vezes repousa na "esperança do aparecimento de um político moral". O que pra mim também representa outro problema: na criação desse tipo quase mitologico do político "moral" estão os genes do próprio autoritarismo, e a demonstração de um profundo "desconhecer de si" por parte do brasileiro em se pensar como agente político, como ser social, ou em sociedade.
A importancia de pensar as coisas no tempo, inseridos em uma cultura e sociedade, é fundamental para termos a possibilidade de reconstituir a percepção do individuo como "ser", como cidadão, como atuante efetivo do Estado, como a própria Base do Estado.
Assim, reinvindico por uma vida, uma história e uma educação a favor da autonomia e da vida.
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domingo, 17 de outubro de 2010
Pesadelos e sonhos.
Meus pesadelos me atorementam, são terriveis, desfazem o mundo, trazem a tona grandes medos improvaveis, mas não impossiveis. E as vezes, alívio grande ao acordar, posto que não continuam, que não são reais, ou aquela angustiazinha daquil ter mechido com coisas delicadas.
Meus sonhos de hoje também são pesadelos. E no mundo belo, das coisas esperadas, de cenas tão bonitas, que daria para gravar um filme, o acordar, e o desfazer-se de tudo aquilo, que havia sido real no sonho, o voltar ao mundo, e a falta daquilo que não teve.
Em resumo, prefiro ficar acordado.
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Meus sonhos de hoje também são pesadelos. E no mundo belo, das coisas esperadas, de cenas tão bonitas, que daria para gravar um filme, o acordar, e o desfazer-se de tudo aquilo, que havia sido real no sonho, o voltar ao mundo, e a falta daquilo que não teve.
Em resumo, prefiro ficar acordado.
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
O Ri(s)o e o Fósforo.
Pequenas contigências me afetam, e eu, costumo olhar por cima dos ombros.
Pequenas coisas, o atraso do salário, a falta de passagens nos horarios apropriados num dia específico. Posso então me manter aqui por mais 5 ou 6 dias, que com certeza serão bem aproveitados, mas que também o seriam no "outro mundo".
Confesso, estou com saudades de lá. E de acordar pra ir pra uma aula, natação de tarde, as festas e as conversas (que também tenho aqui, mas que são de outras esferas mesmo.)
Mas também, me encuca um medo de certos olhares de repreensão, e ter que ficar ouvindo aquelas bobagens que me incomodam tanto não pelo que eles olham, e comentam, mas justamente por o fazerem, odeio ser colocado numa caixa, interpretando meus "As" e "Bês" dentro de um quadro de "sucessos e fracassos" do qual já tentei me retirar a tanto tempo. Me incomoda ter que ficar lidando com essas coisas.
E tem os compromissos também não? Não os da Academia, porque, certamente, se não conseguir voltar hoje, pouca diferença realmente fara, se chegar sexta ou quinta, já que não tenho aula.
Mas tem reuniões, encontros, conversas, tem jogos para serem jogados e narrados por aí, coisas a serem escritas, lidas, mechidas. E elas, ao contrário das diversas coisas, não gosto tratar como obrigação, gosto de ir num ritmo prazeroso, ainda que tenha lá minhas perdas, eu as admito e continuo. Mas o que farei eu?
Muitas das coisas não dependem de mim, mas contam comigo, sim. E por não pensar a partir desses "deveres e teres", não me sinto na obrigação de voltar, não faz tanta diferença.
Na verdade, a vontade de ficar, talvez seja vontade também de fazer falta por lá, testar? Talvez, ainda que possa ser desagradavel a idéia, mas talvez sim.
E já vieram os que sentem falta, reclamar o sumiço. E como queria dizer que fiquei feliz por saber.
Agora espero pelo meu pai acordar, para conversar com ele sobre as pequenas contigências, avisadas sim porque poderia ter comprado as passagens ontem, ou anteontem, mas quem iria saber? Não é tão comum assim todas as passagens pós almoço ja estarem esgotadas, logo as 6 e 30 da manhã.
E na boa, eu faço isso. Me exponho a essas coisas e é isso sabe?
Né nem questão de não aprender, ou não ouvir, é a prioridade mesmo.
Não gosto muito de ficar preocupado com essas coisas.
Me preocupo com outras, as que chamo de "mais complicadas".
Ainda não sei, se fico ou se volto, muitas coisas se aparecem, e esses pensares são exercícios gostosos e não desgastantes. Ajudam a pensar coisas sobre as coisas, das coisas que a gente faz, entenderam?
Enfim, quando decidir, descobrirão.
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Pequenas coisas, o atraso do salário, a falta de passagens nos horarios apropriados num dia específico. Posso então me manter aqui por mais 5 ou 6 dias, que com certeza serão bem aproveitados, mas que também o seriam no "outro mundo".
Confesso, estou com saudades de lá. E de acordar pra ir pra uma aula, natação de tarde, as festas e as conversas (que também tenho aqui, mas que são de outras esferas mesmo.)
Mas também, me encuca um medo de certos olhares de repreensão, e ter que ficar ouvindo aquelas bobagens que me incomodam tanto não pelo que eles olham, e comentam, mas justamente por o fazerem, odeio ser colocado numa caixa, interpretando meus "As" e "Bês" dentro de um quadro de "sucessos e fracassos" do qual já tentei me retirar a tanto tempo. Me incomoda ter que ficar lidando com essas coisas.
E tem os compromissos também não? Não os da Academia, porque, certamente, se não conseguir voltar hoje, pouca diferença realmente fara, se chegar sexta ou quinta, já que não tenho aula.
Mas tem reuniões, encontros, conversas, tem jogos para serem jogados e narrados por aí, coisas a serem escritas, lidas, mechidas. E elas, ao contrário das diversas coisas, não gosto tratar como obrigação, gosto de ir num ritmo prazeroso, ainda que tenha lá minhas perdas, eu as admito e continuo. Mas o que farei eu?
Muitas das coisas não dependem de mim, mas contam comigo, sim. E por não pensar a partir desses "deveres e teres", não me sinto na obrigação de voltar, não faz tanta diferença.
Na verdade, a vontade de ficar, talvez seja vontade também de fazer falta por lá, testar? Talvez, ainda que possa ser desagradavel a idéia, mas talvez sim.
E já vieram os que sentem falta, reclamar o sumiço. E como queria dizer que fiquei feliz por saber.
Agora espero pelo meu pai acordar, para conversar com ele sobre as pequenas contigências, avisadas sim porque poderia ter comprado as passagens ontem, ou anteontem, mas quem iria saber? Não é tão comum assim todas as passagens pós almoço ja estarem esgotadas, logo as 6 e 30 da manhã.
E na boa, eu faço isso. Me exponho a essas coisas e é isso sabe?
Né nem questão de não aprender, ou não ouvir, é a prioridade mesmo.
Não gosto muito de ficar preocupado com essas coisas.
Me preocupo com outras, as que chamo de "mais complicadas".
Ainda não sei, se fico ou se volto, muitas coisas se aparecem, e esses pensares são exercícios gostosos e não desgastantes. Ajudam a pensar coisas sobre as coisas, das coisas que a gente faz, entenderam?
Enfim, quando decidir, descobrirão.
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sábado, 4 de setembro de 2010
É possivel perder-se de si?
Até hoje, eu acredito que sim.
Apresentados ao mundo, somos educados na cultura a aprender "nosso lugar" e a nele nos sentarmos e só irmos aonde nos é permitido ir. Na minha opinião, chegamos a um nível de controle tão severo onde nosso 'eu' é totalizado pelo que aqui chamo de cultura. Uma cultura totalitária, ela promove a dominação total do ser, o insere em centenas de padrões e convenções que se seguirmos um mínimo deles nos desfaremos em tantas milhões de partes que, primeiro: nos discernir será profundamente díficil, segundo, não faço idéia daquilo que significará o "eu".
Como um manequim, a única coisa diferente entre nós, nesse extremo da dominação, seria a roupa com a qual nos vestem (nem nos vestimos mais), e no fundo no fundo, manequins ocos, desprovidos de um "eu" que tenha cores próprias, que se afirme, desprovido de "vida vivivel".
Algumas horas eu temo que caminhemos para isso. Mas essa distopia só viria a tona se cedesse a nossa resistência. Aquilo que penso por "eu" é algo que resiste, resiste a adaptar-se e a caber no mundo que lhe é imposto, resiste por meio da sensação - de maneiras tão variadas, dentro da história, e da experiência de cada indivíduo, mas felizmente, resiste.
Bom, quem me conhece, vai perceber que pra mim, faz um danado de um sentido pensar assim.
Não me garanto razão, apenas penso sobre a idéia.
Nesse jogo de forças entre o "eu" do individuo e o "mundo", criamos nossos meios de nos mantermos nós mesmos, e ainda, estarmos no mundo. Mas a sociedade de controle está longe de ser um local propício a expressão das coisas que mais nos dizem, própricio a plenitude do ser.
Assim, resistir é uma dimensão necessária, a adatpação uma porta para um terrivel tormento, que é a possibilidade de não ver sentido pela anestesia dos sentidos do mundo, que existem em cada um de nós.
Questionar e mudar essa cultura do medo, essa cultura da dominação, se faz necessário.
Rejeitar o controle totalizante do ser.
E a energia dessas tantas multilações que sofremos, como a força que precisamos para mudar, tudo.
Desacreditar o poder. Desacreditar o controle.
Nada existe por sí só, fazemos o mundo.
Revolução do ser. Revolução do mundo. Mundos.
.
Apresentados ao mundo, somos educados na cultura a aprender "nosso lugar" e a nele nos sentarmos e só irmos aonde nos é permitido ir. Na minha opinião, chegamos a um nível de controle tão severo onde nosso 'eu' é totalizado pelo que aqui chamo de cultura. Uma cultura totalitária, ela promove a dominação total do ser, o insere em centenas de padrões e convenções que se seguirmos um mínimo deles nos desfaremos em tantas milhões de partes que, primeiro: nos discernir será profundamente díficil, segundo, não faço idéia daquilo que significará o "eu".
Como um manequim, a única coisa diferente entre nós, nesse extremo da dominação, seria a roupa com a qual nos vestem (nem nos vestimos mais), e no fundo no fundo, manequins ocos, desprovidos de um "eu" que tenha cores próprias, que se afirme, desprovido de "vida vivivel".
Algumas horas eu temo que caminhemos para isso. Mas essa distopia só viria a tona se cedesse a nossa resistência. Aquilo que penso por "eu" é algo que resiste, resiste a adaptar-se e a caber no mundo que lhe é imposto, resiste por meio da sensação - de maneiras tão variadas, dentro da história, e da experiência de cada indivíduo, mas felizmente, resiste.
Bom, quem me conhece, vai perceber que pra mim, faz um danado de um sentido pensar assim.
Não me garanto razão, apenas penso sobre a idéia.
Nesse jogo de forças entre o "eu" do individuo e o "mundo", criamos nossos meios de nos mantermos nós mesmos, e ainda, estarmos no mundo. Mas a sociedade de controle está longe de ser um local propício a expressão das coisas que mais nos dizem, própricio a plenitude do ser.
Assim, resistir é uma dimensão necessária, a adatpação uma porta para um terrivel tormento, que é a possibilidade de não ver sentido pela anestesia dos sentidos do mundo, que existem em cada um de nós.
Questionar e mudar essa cultura do medo, essa cultura da dominação, se faz necessário.
Rejeitar o controle totalizante do ser.
E a energia dessas tantas multilações que sofremos, como a força que precisamos para mudar, tudo.
Desacreditar o poder. Desacreditar o controle.
Nada existe por sí só, fazemos o mundo.
Revolução do ser. Revolução do mundo. Mundos.
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Os (quase)-nós (totalizados).
Sentou-se lentamente na cama abriu os olhos quase que como por reflexo, um minuto antes do despertador. Devagar pôs-se de pé, vestiu a calça social e, davagar, caminhou para o banheiro. Escovou os dentes, como faz todos os dias, olhou para seus olhos cansados de mais uma noite mal dormida. Novamente sonhando que estava caindo, caindo , caindo...
Os olhos vermelhos, o movimento lento da escova nos dentes mau cuidados, disfarçados pelo bom odor da pasta dental e pela ausência de sorrisos. Os olhos de vidro vidrados no espelho, questões semi-formadas tentavam se perguntar aqueles olhos, mas não havia tempo, não eram terminadas.
Voltava, agora mais rápido. O despertador tocando. Calças, camisa, botões, paletó, gravata, cabelopenteadoaomeiocafégeladodeontemcommeiopedaçodetortadeixadasobreamesacorredescendoasescadasparao carro.
Chega ao trabalho. Trabalha. Cumprimenta pouco, fala pouco, faz seu serviço. Seu chefe o parabeniza. "Muito produtivo!". O que faz? Não interessa. Ele também já não sabe.
Quando criança, queria ser um golfinho.
Seus pensamentos estão turvos, as veias visiveis nas mãos trêmulas. A voz falha... falha...falha...
Tentou gritar, não conseguiu, engasgou. O Olharam, quase queimando. O escritório voltando-lhe atenções. Caiu no chão, ainda tossindo fortemente, apoio-se em sua cadeira, confortavel cadeira.
Ninguem veio. Levantou-se, então, alguém se aproximou e perguntou "Tudo bem?" tocando levemente seu ombro. Não soube o que dizer, foi ao banheiro. Voltou, sentou-se, tudo de volta a normalidade. Normalidade. Envergonha-se, sente-se sujo. O chão ainda tem o café, e uma funcionária da limpeza se aproxima para limpar, sua camisa também. Ele vê a moça que gentilmente o pede licença e limpa suas coisas, sua cadeira e o chão. Percebe então que não sabe seu nome. Ele olha a volta. Está nausedado. Termina seu dia. Volta pra casa. Dorme. Tem pesadelos.
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Ela levanta com o som de sempre, ainda de camisola segue para o banheiro, olha-se no espelho, os cachos loiros parecem cansados, e emaranhados, seus olhos com olheiras e remelas ainda muito vermelhos. Ela segue parao chuveiro, devagar. Água fria. Apressasse no banhomaltocandoseucorposaímolhadapegaatolharapidamentesesecacorreaoquartosetrancaparasevestirenquantojogasuas coisasnamochiladescerapidoparatomarcafesuamãegritandocorreparanãoperderoonibus. Está em pé. Levemente suada pela correria, sente-se um pouco nauseada.
No onibus a olham. Pensam coisas - muito diversas. A queima. Seu olhar pousa em algum canto da estrada enquanto é sacolejada pelo onibus no caminho. Saí do onibus, diz formalidades "Oi bomdiatudobem?tudobemevocê?" e quase sempre termina suas conversas com "ah, estou atrasada preciso ir" e está atrasada, chega apressada diz formalidades ao professor senta-se ao fundo , longe, invisivel. Anota a materia toda. Encontra com uma amiga e trocam palavras, falam sobre planos, sonhos, falam sobre expectativas de fim de ano, amores, vonta... otempoétardeprecisoirdepoisconversamostchau. Ela pensa que queria dizer que a ama. Sente vergonha, culpa. E lembra-se que não ligou para mãe na semana pass..Precisoirterminarelatórioparamanhã. Senta-se na biblioteca e escreve, como toda semana, entrega relatórios. Quando não provas. Provas de que? Ora, de que faz as coisas direito. Seu orientador está muito satisfeito com ela, "é muito produtiva". Escreve , escreve, mas já não mais como escrevia, precisa terminar os relatórios! Termina, guarda na pasta com cuidado, dezenove horas, come pouco , vai para aula de natação, troca-se, toma uma ducha, caí na água - sente seu corpo arrepiar com a água gelada, a luz da lua ilumina a piscina, nada, nada muito e rapidamente, com todo vigor que pode, nada e respira, e já não pensa em mais nada - se torna seu corpo. Acaba, sente-se cansada, e feliz - seu corpo pesado, já se sente um pouco sonolenta. Toma um banho e volta para casa, não fala com ninguem no caminho, pensamentos voltam, uma ligação os interrompe - parabenizada, seu projeto aprovado, precisa entregar mais dois relatórios ao final da semana. Feliz. Estranha de repente. Lembra-se, sobrara tempo para nadar? Largou a dança no ultimo semestre. Terminou um namoro quando estava no cursinho. Não foi aos testes do teatro no primeiro ano, nem no segundo. Entristece-se... quer chorar. Os olhos cheios d'agua. Não. Não pode errar o ponto. Desce do onibus, chega em casa. Seus amigos cansados a olham cansada. Mal conversam, precisam acordar cedo, terminar trabalhos, entregar relatórios, dia cheio amanhã você sabe.
As vezes escapam, e festejam, nas raras ocasiões onde sentem-se eles.
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Acaba de entrar na escolinha, está com medo. Sua mãe diz que ficara o primeiro dia. Faz amiguinhos. Desenha na aula sua professora ri, aperta-lhe a bochecha. Não entende. Corre quando o pai volta para busca-lo. Dorme no caminho de casa, sonha o indizivel. Mostra o desenho pro pai, de olhos cansados, que sorri, acena com a cabeça e volta a dirigir. Chegam em casa, mostra o desenho a sua mãe, que sorri, e lhe dá um beijo e volta a cozinhar a janta. Quer sair, o sol está laranja lá fora, não pode. Quer correr, não pode, seus pais o proibem. Observa com atenção cores e luzes, e as busca, seu pai o pega no colo, e o põe no chiqueiro. Como todo dia.
Protesta, chora, se cansa. Vira-se, pega sua mamadeira e dorme.
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Levanta-se, frio, o jornal que o cobria o vento levou. Quer ir ao banheiro, vai para o fundo do beco e ali faz tudo o que precisa. Acorda seus amigos, conversam, as vezes dão até umas risadas. Estão com fome, conseguiram um dinheiro ontem, limpando os vidros de carros. Não conseguem entrar nos cafés. Um guarda suspeita-lhes do dinheiro, aborda-os. Leva o dinheiro.
Tentam pegar um transporte, para ir para outro lugar, não conseguem entrar. Um deles caí e se machuca. Precisam de ajuda, pedem para os passantes. Não são vistos. Desviam-lhe os olhares e a presença. O companheiro sofre, como sofrem os outros, um guarda outro os ajuda - o carro está a caminho. Levam o companheiro para atendimento, não os deixam ir. Pela tarde chove muito. Sabem que será díficil reencontrar o companheiro, não conseguem trabalhar esse dia. Sente fome, como seus amigos, já não falam nada, estão com raiva. Está frio. Separam-se ali, tentam pedir o que podem. Um tenta roubar, o levam. Outro que provavelmente não reencontrará, sabe. Negado. Senta-se num beco, quer chorar, sente saudades de sua terra, da familia que deixou, não tem notícias a anos, lembra-se do Sol, do calor, lembra-se da velha serraria que trabalhava... é cutucado por um guarda, não pode ficar ali está incomodando os moradores. Engasga. Sente raiva. Levanta-se, saí na chuva, e por ela segue, pra procurar outro lugar pra ficar, pelo menos, até amanhã.
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Levanta-se, a noite caiu. Seus olhos doem, sua cabeça doí. Os olhos vermelhos. Fica de pé cambaleando, senta-se na mesa, e re-lê sua carta. A coloca num envelope, passa a cola, fecha-o. Beija solenemente o envelope de papel amarelado velho, deixa sobre a mesa. Acende um cigarro e fita a cidade a noite. Batidas na porta, o vizinho grita pelo aluguel atrasado. Entra no banheiro. Joga o cigarro na pia.Lava seu rosto, entra no chuveiro , lava-se rapidamente, seu corpo doí. Volta. Liga a tevê. A mesma coisa. Então caminha até sua cama, e senta. Abre a gaveta. o vizinho ainda insistente batendo na porta. Pega o livro sobre seu criado mudo. Nas ultimas páginas alguns rabiscos de si próprio. Sorri, tristemente. A pega na gaveta então fica de pé, dá três tiros contra a tevê, um na porta, e o outro na boca.
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Os olhos vermelhos, o movimento lento da escova nos dentes mau cuidados, disfarçados pelo bom odor da pasta dental e pela ausência de sorrisos. Os olhos de vidro vidrados no espelho, questões semi-formadas tentavam se perguntar aqueles olhos, mas não havia tempo, não eram terminadas.
Voltava, agora mais rápido. O despertador tocando. Calças, camisa, botões, paletó, gravata, cabelopenteadoaomeiocafégeladodeontemcommeiopedaçodetortadeixadasobreamesacorredescendoasescadasparao carro.
Chega ao trabalho. Trabalha. Cumprimenta pouco, fala pouco, faz seu serviço. Seu chefe o parabeniza. "Muito produtivo!". O que faz? Não interessa. Ele também já não sabe.
Quando criança, queria ser um golfinho.
Seus pensamentos estão turvos, as veias visiveis nas mãos trêmulas. A voz falha... falha...falha...
Tentou gritar, não conseguiu, engasgou. O Olharam, quase queimando. O escritório voltando-lhe atenções. Caiu no chão, ainda tossindo fortemente, apoio-se em sua cadeira, confortavel cadeira.
Ninguem veio. Levantou-se, então, alguém se aproximou e perguntou "Tudo bem?" tocando levemente seu ombro. Não soube o que dizer, foi ao banheiro. Voltou, sentou-se, tudo de volta a normalidade. Normalidade. Envergonha-se, sente-se sujo. O chão ainda tem o café, e uma funcionária da limpeza se aproxima para limpar, sua camisa também. Ele vê a moça que gentilmente o pede licença e limpa suas coisas, sua cadeira e o chão. Percebe então que não sabe seu nome. Ele olha a volta. Está nausedado. Termina seu dia. Volta pra casa. Dorme. Tem pesadelos.
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Ela levanta com o som de sempre, ainda de camisola segue para o banheiro, olha-se no espelho, os cachos loiros parecem cansados, e emaranhados, seus olhos com olheiras e remelas ainda muito vermelhos. Ela segue parao chuveiro, devagar. Água fria. Apressasse no banhomaltocandoseucorposaímolhadapegaatolharapidamentesesecacorreaoquartosetrancaparasevestirenquantojogasuas coisasnamochiladescerapidoparatomarcafesuamãegritandocorreparanãoperderoonibus. Está em pé. Levemente suada pela correria, sente-se um pouco nauseada.
No onibus a olham. Pensam coisas - muito diversas. A queima. Seu olhar pousa em algum canto da estrada enquanto é sacolejada pelo onibus no caminho. Saí do onibus, diz formalidades "Oi bomdiatudobem?tudobemevocê?" e quase sempre termina suas conversas com "ah, estou atrasada preciso ir" e está atrasada, chega apressada diz formalidades ao professor senta-se ao fundo , longe, invisivel. Anota a materia toda. Encontra com uma amiga e trocam palavras, falam sobre planos, sonhos, falam sobre expectativas de fim de ano, amores, vonta... otempoétardeprecisoirdepoisconversamostchau. Ela pensa que queria dizer que a ama. Sente vergonha, culpa. E lembra-se que não ligou para mãe na semana pass..Precisoirterminarelatórioparamanhã. Senta-se na biblioteca e escreve, como toda semana, entrega relatórios. Quando não provas. Provas de que? Ora, de que faz as coisas direito. Seu orientador está muito satisfeito com ela, "é muito produtiva". Escreve , escreve, mas já não mais como escrevia, precisa terminar os relatórios! Termina, guarda na pasta com cuidado, dezenove horas, come pouco , vai para aula de natação, troca-se, toma uma ducha, caí na água - sente seu corpo arrepiar com a água gelada, a luz da lua ilumina a piscina, nada, nada muito e rapidamente, com todo vigor que pode, nada e respira, e já não pensa em mais nada - se torna seu corpo. Acaba, sente-se cansada, e feliz - seu corpo pesado, já se sente um pouco sonolenta. Toma um banho e volta para casa, não fala com ninguem no caminho, pensamentos voltam, uma ligação os interrompe - parabenizada, seu projeto aprovado, precisa entregar mais dois relatórios ao final da semana. Feliz. Estranha de repente. Lembra-se, sobrara tempo para nadar? Largou a dança no ultimo semestre. Terminou um namoro quando estava no cursinho. Não foi aos testes do teatro no primeiro ano, nem no segundo. Entristece-se... quer chorar. Os olhos cheios d'agua. Não. Não pode errar o ponto. Desce do onibus, chega em casa. Seus amigos cansados a olham cansada. Mal conversam, precisam acordar cedo, terminar trabalhos, entregar relatórios, dia cheio amanhã você sabe.
As vezes escapam, e festejam, nas raras ocasiões onde sentem-se eles.
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Acaba de entrar na escolinha, está com medo. Sua mãe diz que ficara o primeiro dia. Faz amiguinhos. Desenha na aula sua professora ri, aperta-lhe a bochecha. Não entende. Corre quando o pai volta para busca-lo. Dorme no caminho de casa, sonha o indizivel. Mostra o desenho pro pai, de olhos cansados, que sorri, acena com a cabeça e volta a dirigir. Chegam em casa, mostra o desenho a sua mãe, que sorri, e lhe dá um beijo e volta a cozinhar a janta. Quer sair, o sol está laranja lá fora, não pode. Quer correr, não pode, seus pais o proibem. Observa com atenção cores e luzes, e as busca, seu pai o pega no colo, e o põe no chiqueiro. Como todo dia.
Protesta, chora, se cansa. Vira-se, pega sua mamadeira e dorme.
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Levanta-se, frio, o jornal que o cobria o vento levou. Quer ir ao banheiro, vai para o fundo do beco e ali faz tudo o que precisa. Acorda seus amigos, conversam, as vezes dão até umas risadas. Estão com fome, conseguiram um dinheiro ontem, limpando os vidros de carros. Não conseguem entrar nos cafés. Um guarda suspeita-lhes do dinheiro, aborda-os. Leva o dinheiro.
Tentam pegar um transporte, para ir para outro lugar, não conseguem entrar. Um deles caí e se machuca. Precisam de ajuda, pedem para os passantes. Não são vistos. Desviam-lhe os olhares e a presença. O companheiro sofre, como sofrem os outros, um guarda outro os ajuda - o carro está a caminho. Levam o companheiro para atendimento, não os deixam ir. Pela tarde chove muito. Sabem que será díficil reencontrar o companheiro, não conseguem trabalhar esse dia. Sente fome, como seus amigos, já não falam nada, estão com raiva. Está frio. Separam-se ali, tentam pedir o que podem. Um tenta roubar, o levam. Outro que provavelmente não reencontrará, sabe. Negado. Senta-se num beco, quer chorar, sente saudades de sua terra, da familia que deixou, não tem notícias a anos, lembra-se do Sol, do calor, lembra-se da velha serraria que trabalhava... é cutucado por um guarda, não pode ficar ali está incomodando os moradores. Engasga. Sente raiva. Levanta-se, saí na chuva, e por ela segue, pra procurar outro lugar pra ficar, pelo menos, até amanhã.
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Levanta-se, a noite caiu. Seus olhos doem, sua cabeça doí. Os olhos vermelhos. Fica de pé cambaleando, senta-se na mesa, e re-lê sua carta. A coloca num envelope, passa a cola, fecha-o. Beija solenemente o envelope de papel amarelado velho, deixa sobre a mesa. Acende um cigarro e fita a cidade a noite. Batidas na porta, o vizinho grita pelo aluguel atrasado. Entra no banheiro. Joga o cigarro na pia.Lava seu rosto, entra no chuveiro , lava-se rapidamente, seu corpo doí. Volta. Liga a tevê. A mesma coisa. Então caminha até sua cama, e senta. Abre a gaveta. o vizinho ainda insistente batendo na porta. Pega o livro sobre seu criado mudo. Nas ultimas páginas alguns rabiscos de si próprio. Sorri, tristemente. A pega na gaveta então fica de pé, dá três tiros contra a tevê, um na porta, e o outro na boca.
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
escritos sobre histórias, memórias e identidades.
(Quando eu descobrir como posta o video aqui, eu posto, no mais, boa leitura)
Post baseado no trailer do Documentário: Era das Utopias
"somos aquilo que lembramos, agora, além disso, costumo acrescentar que também somos aquilo que escolhemos esquecer."
"We are told what we are to think about, and then we are told that these are our memories. In fact, we are taught to remember"
(Nos dizem o que devemos pensar, e então nos dizem que estas são nossas memórias. De fato, somos ensinados a lembrar...)
As duas frases da abertura desse documentário me chamaram atenção.
A História dos fatos não existe "por si", historiadores a buscam, um trabalho tremendo é feito nesse sentido, mas estamos, inexoravelmente, separados do nosso passado. Outro ponto é a infinitude do passado, como exemplifica Valery em seu livro Variéte que se escolhermos um ano especifico, como 1789, dá pra pensar a quantidade de informação que existe nesse ano específico?
Quantas histórias possiveis? Existe "A História"? De fato, esses acontecimentos todos do ano de 1789 aconteceram, mas tornar isso em totalidade conhecimento é possivel? Só pra esse ano? Para qualquer ano? Todos?
Se pegarmos só pelo viez mais "senso-comum" da história, que é o político, militar e economico, poderemos dizer sim, muito sobre a efervescência política na Europa ocidental na épocao, mas e a Asia, o Oriente Médio, que poderiamos dizer sobre o "Novo Mundo", ou o Japão? Que poderiamos dizer sobre a Oceania e a Africa? Quantos tratados, correspondências, quantas movimentações de cunho político/militar ou economico podemos registrar e o que poderemos registrar de e sobre cada uma? Esse vortex de imagens e idéias é apenas para jogar a impressão de algo realmente vasto, Infinito no sentido de interminavel, que torna o trabalho do historiador, Infinito, no sentido de incompleto (e no sentido de que "nunca nos faltará assunto", como bem diria Prof. Chalhoub).
As histórias são feitas de escolhas. As memórias são construídas a partir das escolhas.
"Somos ensinados a lembrar". Quem nos ensinou a lembrar? O que?
Quem nos ensina a memória na nossa sociedade? Quais são os elementos dessa educação?
Como nos pensamos a partir daquilo que nos ensinaram que é a nossa memória?
Como se constroí a identidade do individuo a partir da relação que ele estabelece entre sua memória pessoal e sua memória histórica?
Não diz a memória, respeito ao futuro?
Nossas instituições escolares nos ensinam a construir um tipo de memória. A memória nos vem através das letras de canções, nos romances e nos livros de história escritos, nas novelas, nas conversas cotidianas, enfim, produzimos memória nas nossas vidas.
As memórias social e individual não se dissociam, assim essa memória do que foi a humanidade, da "nossa história", diz respeito a "quem somos" e portanto a cada um de nós. Pensamos e mesmo sem perceber produzimos uma memória social, não só do "tempo presente", do "tempo que somos", mas do nosso passado, de como nos relacionamos com aquilo que construiram que somos enquanto gênero humano, ou seja de nossa relação com o "conjunto social" que chamamos de "Humanidade."
Assim fiamos uma teia de relações através dos discursos produzidos pelos infintezimais pontos que nela existem, nós, os indivíduos, despojados de qualquer agrupamento que não o das moléculas e átomos de cada um (quiçá!).
E se a memória diz respeito ao futuro é porque , como você pensa o passado diz respeito ao presente e não ao passado em si (afinal eles já passado, nós não), reflete assim as nossa questões sobre "o mundo e as coisas", e sobre "nós", sobre nossa indivudualidade e sua inserção no mundo. Assim, elas acabam influenciando nas escolhas que tomamos, nas práticas que estabelecemos nas nossas vidas, como nos relacionamos inclusive com a forma como nos ensinaram a nos relacionar, a pensar e construir a memória.
A memória também é anterior a nós, produzimos a nossa já sendo "ensinados a lembrar",
nos relacionamos com o mundo mesmo antes de pensar como pensamos, somos "apresentados ao mundo", e a memória na qual somos educados nos ensina sobre ele, a memória dos pontos de encontro que esbarramos: Nossos livros, professores, televisões, musicas, principalmente, as pessoas a nossa volta. Nossa experiência no mundo e as relações que estabelecemos com a memória "apresentada", é que nos provoca a produzir nossa própria memória - o que escolhemos lembrar e esquecer - como indivíduo e sociedade (inclusive indissociaveis aqui).
Nesse ponto é bem díficil dizer que escolhemos. E até que ponto, o fato é que "mais ou menos" escolhendo e sendo escolhimos, criamos. E criamos, modificamos.
Nessa teia, de infinitezimais pontos, é onde se produz a sociedade. E a memória social serve em grande medida de "entendimento-justificativa" para o que existe no tempo presente - seja para afirmar algo como "legítimo", seja para sua "deslegitimação".
A fragmentalidade da História nos lançou sobre um mar de dúvidas, mas boa parte das memórias produzidas que me esbarram , vejo, carregam em si o tom do "discurso de verdade".
Por que ainda nos apegamos a essa disputa? Pra quê?
Em um campo onde quase tudo pode ser justificado, a verdade não passe de ser reduzir a história a um meio para se atingir a verdade desejada, verdade-querida. Logo, quase "qualquer verdade" é possivel. E fazemos isso exaustivamente, academicos ou não, insistimos na busca de respostas e de justificações das nossas teorias favoritas. E conseguimos claro, todos. E disputamos nossas verdades a tapas, quando não nas guerras.
"Nossas convicções são secretamente assassinas." Paul Valery
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Post baseado no trailer do Documentário: Era das Utopias
"somos aquilo que lembramos, agora, além disso, costumo acrescentar que também somos aquilo que escolhemos esquecer."
"We are told what we are to think about, and then we are told that these are our memories. In fact, we are taught to remember"
(Nos dizem o que devemos pensar, e então nos dizem que estas são nossas memórias. De fato, somos ensinados a lembrar...)
As duas frases da abertura desse documentário me chamaram atenção.
A História dos fatos não existe "por si", historiadores a buscam, um trabalho tremendo é feito nesse sentido, mas estamos, inexoravelmente, separados do nosso passado. Outro ponto é a infinitude do passado, como exemplifica Valery em seu livro Variéte que se escolhermos um ano especifico, como 1789, dá pra pensar a quantidade de informação que existe nesse ano específico?
Quantas histórias possiveis? Existe "A História"? De fato, esses acontecimentos todos do ano de 1789 aconteceram, mas tornar isso em totalidade conhecimento é possivel? Só pra esse ano? Para qualquer ano? Todos?
Se pegarmos só pelo viez mais "senso-comum" da história, que é o político, militar e economico, poderemos dizer sim, muito sobre a efervescência política na Europa ocidental na épocao, mas e a Asia, o Oriente Médio, que poderiamos dizer sobre o "Novo Mundo", ou o Japão? Que poderiamos dizer sobre a Oceania e a Africa? Quantos tratados, correspondências, quantas movimentações de cunho político/militar ou economico podemos registrar e o que poderemos registrar de e sobre cada uma? Esse vortex de imagens e idéias é apenas para jogar a impressão de algo realmente vasto, Infinito no sentido de interminavel, que torna o trabalho do historiador, Infinito, no sentido de incompleto (e no sentido de que "nunca nos faltará assunto", como bem diria Prof. Chalhoub).
As histórias são feitas de escolhas. As memórias são construídas a partir das escolhas.
"Somos ensinados a lembrar". Quem nos ensinou a lembrar? O que?
Quem nos ensina a memória na nossa sociedade? Quais são os elementos dessa educação?
Como nos pensamos a partir daquilo que nos ensinaram que é a nossa memória?
Como se constroí a identidade do individuo a partir da relação que ele estabelece entre sua memória pessoal e sua memória histórica?
Não diz a memória, respeito ao futuro?
Nossas instituições escolares nos ensinam a construir um tipo de memória. A memória nos vem através das letras de canções, nos romances e nos livros de história escritos, nas novelas, nas conversas cotidianas, enfim, produzimos memória nas nossas vidas.
As memórias social e individual não se dissociam, assim essa memória do que foi a humanidade, da "nossa história", diz respeito a "quem somos" e portanto a cada um de nós. Pensamos e mesmo sem perceber produzimos uma memória social, não só do "tempo presente", do "tempo que somos", mas do nosso passado, de como nos relacionamos com aquilo que construiram que somos enquanto gênero humano, ou seja de nossa relação com o "conjunto social" que chamamos de "Humanidade."
Assim fiamos uma teia de relações através dos discursos produzidos pelos infintezimais pontos que nela existem, nós, os indivíduos, despojados de qualquer agrupamento que não o das moléculas e átomos de cada um (quiçá!).
E se a memória diz respeito ao futuro é porque , como você pensa o passado diz respeito ao presente e não ao passado em si (afinal eles já passado, nós não), reflete assim as nossa questões sobre "o mundo e as coisas", e sobre "nós", sobre nossa indivudualidade e sua inserção no mundo. Assim, elas acabam influenciando nas escolhas que tomamos, nas práticas que estabelecemos nas nossas vidas, como nos relacionamos inclusive com a forma como nos ensinaram a nos relacionar, a pensar e construir a memória.
A memória também é anterior a nós, produzimos a nossa já sendo "ensinados a lembrar",
nos relacionamos com o mundo mesmo antes de pensar como pensamos, somos "apresentados ao mundo", e a memória na qual somos educados nos ensina sobre ele, a memória dos pontos de encontro que esbarramos: Nossos livros, professores, televisões, musicas, principalmente, as pessoas a nossa volta. Nossa experiência no mundo e as relações que estabelecemos com a memória "apresentada", é que nos provoca a produzir nossa própria memória - o que escolhemos lembrar e esquecer - como indivíduo e sociedade (inclusive indissociaveis aqui).
Nesse ponto é bem díficil dizer que escolhemos. E até que ponto, o fato é que "mais ou menos" escolhendo e sendo escolhimos, criamos. E criamos, modificamos.
Nessa teia, de infinitezimais pontos, é onde se produz a sociedade. E a memória social serve em grande medida de "entendimento-justificativa" para o que existe no tempo presente - seja para afirmar algo como "legítimo", seja para sua "deslegitimação".
A fragmentalidade da História nos lançou sobre um mar de dúvidas, mas boa parte das memórias produzidas que me esbarram , vejo, carregam em si o tom do "discurso de verdade".
Por que ainda nos apegamos a essa disputa? Pra quê?
Em um campo onde quase tudo pode ser justificado, a verdade não passe de ser reduzir a história a um meio para se atingir a verdade desejada, verdade-querida. Logo, quase "qualquer verdade" é possivel. E fazemos isso exaustivamente, academicos ou não, insistimos na busca de respostas e de justificações das nossas teorias favoritas. E conseguimos claro, todos. E disputamos nossas verdades a tapas, quando não nas guerras.
"Nossas convicções são secretamente assassinas." Paul Valery
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Só umas palavras a toa
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Ícaro - recontado.
E ele se cansava de todo tédio mortal.
Filho do Artesão, almejava desde cedo alcançar Hélio. Só queria tocar, a grande carruagem Solar em seu percurso diário. Talvez, guia-la.
Quebrou-se algumas vezes, saltando, tentando , em vão alcançar o Céu e o Sol.
Seu pai, Dédalo, o Artesão, provavelmente o mais dedicado deles, queria protege-lo, do calor de Hélio, da Intensidade do mundo, e dos pensamentos excessivamente altos de seu filho.
Por acaso, ou por obra dos Deuses, foram aprisionados por Minos , pai e filho. Dédalo, sozinho, não teria sido capaz de bolar suas Asas de Cera; Dizem por aí, "foi Hermes quem o ajudou", mentira, pois se foi de Hermes alguma parte feita, é ter atiçad desde cedo garoto Ícaro a ser curioso e engenhoso como pai, e juntos deram "asas aos pensamentos" como costumam dizer.
Dédalo transformava a materia, voava através dela. Ícaro, nos mundos, nos pensamentos, sua criatividade era como os ventos mais fortes do Oeste, e tão pungente como as ondas do mais furioso mar.
Dizem que após a fuga do Labirtinto. Dédalo retornou a Atenas. E dizem que Ícaro, teve suas asas torradas pelo calor de Hélio - outra mentira.
E ele nem caiu, se aproximou, com suas asas derretendo da carruagem, e agarrou-a com toda força e quando achou que não fosse dar conta.
Já estava em cima dela. E cumpriu com o que disse ao próprio Hélio - "tomarei emprestada as rédeas de sua carruagem, portanto, descanse".
E e desde então o Sol passou a caminhar meio torto e se põe em lugares diferentes ao longo do ano, é que as vezes Hélio descansa, e Ícaro não gosta muito dos caminhos certos do céu.
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Filho do Artesão, almejava desde cedo alcançar Hélio. Só queria tocar, a grande carruagem Solar em seu percurso diário. Talvez, guia-la.
Quebrou-se algumas vezes, saltando, tentando , em vão alcançar o Céu e o Sol.
Seu pai, Dédalo, o Artesão, provavelmente o mais dedicado deles, queria protege-lo, do calor de Hélio, da Intensidade do mundo, e dos pensamentos excessivamente altos de seu filho.
Por acaso, ou por obra dos Deuses, foram aprisionados por Minos , pai e filho. Dédalo, sozinho, não teria sido capaz de bolar suas Asas de Cera; Dizem por aí, "foi Hermes quem o ajudou", mentira, pois se foi de Hermes alguma parte feita, é ter atiçad desde cedo garoto Ícaro a ser curioso e engenhoso como pai, e juntos deram "asas aos pensamentos" como costumam dizer.
Dédalo transformava a materia, voava através dela. Ícaro, nos mundos, nos pensamentos, sua criatividade era como os ventos mais fortes do Oeste, e tão pungente como as ondas do mais furioso mar.
Dizem que após a fuga do Labirtinto. Dédalo retornou a Atenas. E dizem que Ícaro, teve suas asas torradas pelo calor de Hélio - outra mentira.
E ele nem caiu, se aproximou, com suas asas derretendo da carruagem, e agarrou-a com toda força e quando achou que não fosse dar conta.
Já estava em cima dela. E cumpriu com o que disse ao próprio Hélio - "tomarei emprestada as rédeas de sua carruagem, portanto, descanse".
E e desde então o Sol passou a caminhar meio torto e se põe em lugares diferentes ao longo do ano, é que as vezes Hélio descansa, e Ícaro não gosta muito dos caminhos certos do céu.
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