sexta-feira, 28 de março de 2008

É perigoso morrer vivo.

Não é um raciocínio muito lógico não é? Mas acho que em um dia tão estranho, espera-se palavras igualmente estranhas. E hoje eu posso ver na prática a amargura daqueles que viveram sem viver e que agora sentem-se tolhidos pela idade, incapazes de escolher, sendo que as únicas reais barreiras que os privam de viverem são eles mesmos...

Como vivemos sem viver? Simples, deixamos de tomar rédeas na nossa vida, por medo ou comodidade, por qualquer motivo que seja, permitimos que o "destino" comande nossa vida.
É como se em nós existisse uma grande bateria de vida, uma bomba, pulsante de energia de vida, se não a gastamos e morremos com ela, deixamos de aproveitar seu potencial.
Ela se desgasta a medida em que vivvemos a vida. Em que sangramos em nossas batalhas ou gozamos nossas conquistas, ela se esvai, a medida que fazemos nossas escolhas, não escolher, estar sempre a parte, deixar que o mar leve o barco da sua vida é ser tragado para uma região perigosa. Aí quando atingimos um certo ponto de nossas vidas, onde a morte é uma perspectiva, nos desesperamos. Não acham que viveram, ou acham que o tempo vivido foi insuficiente, ou que a vida foi injusta e acusam um milhão de motivos sem perceber que a vida, foi no duro, vivida como foi até agora por escolha própria e por escolha própria poderia mudar.
Bom, mas não é fácil se livrar de cadeias de quatro ou cinco séculos. De convenções tão antigas.
"Morra no momento certo." (Nietzsche)

Não há limites para minha morbidez, nem para a estranheza de minhas ideias no dia de hoje.
Tento viver plenamente, viver no meu tempo para morrer no tempo certo. Projete seu olhar a frente, sonhe com coisas maiores que você, que o fazem sentir pleno, busque-as, consuma-se na busca, alcance ou não e morra.
Acho que por ter sonhos amplos, vou me gastar e quando chegar minha hora vou ir satisfeito, feliz da vida das coisas que fiz até o ponto que fiz, todos os erros e acertos, as dores e os aprendizados e as felicidades, q não foram tão poucas assim até os dias de hoje.
Tem barreiras que eu não consigo ou sequer posso quebrar. E palavras estranhas essas são como um desabafo, por coisas que eu queria que mudassem, por pessoas que eu queria que se dessem esperança e buscassem seu espaço no mundo e vivessem.

Mas a lição ficou pelo menos para mim. Não quero fundamentar meus sonhos em "aguas rasas", mas em aguas profundas, onde eu me consuma buscando-os. Alcançando-os por completo ou parcialmente, estarei grato por ter dedicado minha vida as coisas que falam a minha alma e me tornar responsável por toda a eternidade pelas minhas ações.
É Nietzsche, me influenciou bastante, mas como você mesmo disse, cada um deve encontrar seu caminho e sua verdade. Estou fazendo isso, descobri que verdades podem ser mentiras e que caminhos são feitos de escolhas... E sigo, escolhendo, caindo, errando e acertando, pelo meu caminho.

2 comentários:

Clarisse disse...

É perigoso viver morto, também.

^^

Beijos
Caca

PS.: Isso me fez pensar num tema interessante: O direito de morrer.
Depois a gente fala sobre isso.

Flora disse...

Depois da Cacá o qu dizer?

A morte é apenas a morte, a vida é a vida. E nós estamos no meio disso tudo.

Beijoss